Procuradora apoiadora de Lula se torna ré no STJ por suposto desvio de mais de R$ 6 milhões
STJ torna ré a procuradora Margaret Matos de Carvalho, acusada de desviar mais de R$ 6 milhões de recursos públicos destinados ao Instituto Lixo e…
Por ContraFatos 06/07/2026 Atualizado em 06/07/2026
Margaret Margaret Matos de Carvalho responderá ao processo ao lado da contadora Rejane Costa de Oliveira | Foto: Arquivo/Agência Senado
STJ aceita denúncia contra Margaret Matos de Carvalho, acusada de peculato envolvendo recursos do Instituto Lixo e Cidadania
A procuradora do Trabalho no ParanáMargaret Matos de Carvalho, de 60 anos, foi tornada ré pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) após a aceitação de denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF). A acusação é de peculato, crime que envolve o desvio de mais de R$ 6 milhões em verbas públicas.
De onde vinham os recursos desviados
Conforme o MPF, os valores teriam sido retirados de repasses destinados ao Instituto Lixo e Cidadania (ILIX), originados de um acordo celebrado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Banco Itaú. Além desses recursos, outros R$ 230 mil que deveriam ser encaminhados ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Curitiba também teriam sido desviados.
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Contadora amiga da procuradora também é ré
Margaret não responderá sozinha ao processo. Ao seu lado, figura como corré a contadora Rejane Costa de Oliveira Paredes, que exercia a função de administradora do ILIX e mantinha relação de amizade com a procuradora.
De acordo com a denúncia, entre 2016 e 2022, ambas teriam se beneficiado pessoalmente dos recursos públicos, além de direcioná-los a terceiros. A posição ocupada por Margaret no Ministério Público do Trabalho teria sido determinante para viabilizar o esquema, segundo o MPF.
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Procuradora nega irregularidades e alega perseguição política
Em declaração ao jornal O Estado de S.Paulo, Margaret refutou todas as acusações. Ela afirmou ser vítima de perseguição conduzida por ex-integrantes da extinta Operação Lava Jato.
Para a procuradora, a motivação por trás da denúncia estaria ligada ao apoio que ela prestou à vigília “Lula livre”, organizada durante o período em que o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso em Curitiba. Margaret também fez questão de ressaltar que não é filiada a nenhum partido político e que não exerce atividade político-partidária.
Ex-procurador da Lava Jato nega participação na denúncia
O ex-procurador da Lava Jato Diogo Castor declarou que não teve nenhuma participação na elaboração da denúncia encaminhada ao STJ contra Margaret.
Relator aponta desvio de finalidade, não meras falhas burocráticas
O ministroJoão Otávio Noronha, relator do caso no STJ, destacou que a denúncia vai além de simples irregularidades administrativas. Segundo ele, o que se aponta é um verdadeiro desvio de finalidade na utilização dos recursos, o que sustentou a decisão de receber a acusação e dar andamento ao processo criminal.