A picanha, que se tornou símbolo de campanha em 2022, permanece inacessível para a maioria da população que Lula diz querer beneficiar. A promessa feita nas eleições — de que o povo voltaria a ter esse corte no prato — até hoje não foi cumprida.
Discurso na Bahia amplia lista de desejos
O evento que serviu de palco para a nova declaração foi a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), realizada na quinta-feira (14), no município de Camaçari. Diante de colaboradores e autoridades, o presidente afirmou que sua missão é governar em favor dos mais pobres.
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Entrar no grupo — Eu nasci para fazer com que os pobres tenham o direito de andar de cabeça [erguida] neste país. Porque o pobre gosta de se vestir bem, gosta de estudar, gosta de comer produtos de primeira qualidade — afirmou.
Na sequência, Lula fez a declaração que chamou atenção ao incluir novos cortes de carne no repertório:
— A gente não vai à feira depois do meio-dia para comprar tomate amassado, laranja amassada, o pessoal aperta tudo… Não! A gente quer ser o primeiro para comprar coisas de qualidade. A gente não quer bofe, a gente quer filé. A gente quer picanha, a gente quer alcatra, a gente quer maminha! A gente quer comer coisas gostosas que nós trabalhamos e temos direito — declarou.
Feira do brasileiro ficou muito mais cara
Além da carne, os itens de feira mencionados por Lula também registraram altas expressivas. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados na terça-feira (12) pelo IBGE, revelam aumentos significativos nos vegetais mais comuns na mesa dos brasileiros no último trimestre.
- Cenoura: aumento de 79,35%
- Tomate (citado por Lula no discurso): alta de 54,34%
- Pepino: reajuste de 48,6%
- Abobrinha: elevação de 36,1%
- Repolho, cebola, morango, batata-inglesa, couve-flor e brócolis: reajustes entre 20% e 30%
Ou seja, o mesmo tomate que o presidente usou como exemplo de produto que o trabalhador deveria comprar fresco subiu mais de 50% em apenas três meses.
Combustíveis e conflitos internacionais pressionam preços
Um fator que tem agravado a situação dos preços dos alimentos é a alta dos combustíveis, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, tem sido um dos principais pontos de embate entre Estados Unidos e Irã.
— Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. (…) Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete — afirma José Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.
A promessa que virou símbolo de frustração
A picanha se consolidou como uma das marcas da campanha eleitoral de Lula em 2022. Na época, a mensagem era clara: o povo pobre voltaria a ter acesso a cortes nobres de carne. Passados mais de três anos de mandato, o cenário é de inflação alimentar elevada, restrição no poder de compra e preços recordes no setor de proteínas. O discurso se repete — e agora com mais itens na lista — mas a realidade nas gôndolas e feiras livres do país segue na direção oposta, expondo uma promessa que até hoje não encontrou correspondência na vida real do trabalhador brasileiro.