“Se eu fosse você, teria matado ela”, disse o namorado.
Segundo a investigação, Bryanna acatou a sugestão e passou a elaborar o plano para matar os pais.
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Entrar no grupo O relacionamento secreto por trás do crime
O pano de fundo do caso envolve o que a própria Bryanna descrevia como um “amor proibido”. A jovem mantinha o relacionamento com Christian Evans em segredo porque não queria que os pais — classificados por ela como “muito racistas” — descobrissem que ela namorava um homem negro. Ela temia ser expulsa de casa, conforme um depoimento policial obtido pelo canal Oxygen.
A execução do plano
Na noite do crime, Christian chegou à residência dos Dutcher acompanhado de Dajameous Payne, de 21 anos. Os dois aguardaram do lado de fora por cerca de 15 minutos até que Bryanna confirmasse a localização dos pais dentro da casa.
“OK, ela está na sala e ele no porão; quando você chegar aqui, me avise”, escreveu Bryanna, dando acesso à casa à dupla.
Christian respondeu informando que estavam se preparando, colocando luvas, e que iriam “eliminar os dois ao mesmo tempo”.
Pouco após a meia-noite, Evans e Payne invadiram a residência. Tamela Dutcher estava sentada no sofá da sala quando recebeu um único tiro no rosto, conforme consta do boletim de ocorrência obtido pelo “NY Post” e informações da emissora WBNS. Ainda não se sabe qual dos dois invasores efetuou o disparo.
Marido escapou dos tiros
O marido da médica ouviu o disparo e correu para socorrer a esposa. A dupla de invasores ainda abriu fogo contra ele, mas errou o alvo e fugiu da residência. Paramédicos foram acionados e Tamela chegou a ser levada a um hospital próximo, porém não resistiu ao ferimento.
Mentiras e obstrução da investigação
Após o crime, Bryanna mentiu repetidamente para os policiais. Ela alegou não ter visto os autores dos disparos e chegou a acusar uma amiga da mãe que, segundo ela, devia dinheiro a Tamela.
“Acredita-se que Bryanna mentiu repetidamente às autoridades sobre o que sabia a respeito das circunstâncias do incidente, o que atrasou a identificação de pistas e suspeitos”, escreveu a polícia no documento oficial do caso.
Posteriormente, Christian e Dajameous foram identificados como os suspeitos. A polícia flagrou o namorado de Bryanna descartando uma sacola de lixo em uma caçamba do lado de fora do seu apartamento. Dentro da sacola, foram encontrados um coldre e uma calça.
A ironia trágica: o estudo sobre jovens assassinos
A dimensão mais perturbadora do caso reside na área de pesquisa da própria vítima. Tamela Dutcher publicou, em janeiro de 2002, um artigo na revista “International Journal of Adolescent Medicine and Health” ao lado do coautor Daniel Davis, no qual analisava perfis de adolescentes violentos e homicidas.
“A grande maioria dos jovens detidos por homicídio é do sexo masculino. As poucas garotas que cometem homicídio tendem a matar membros da própria família”, escreveram Tamela e Daniel Davis no estudo.
O artigo também examinou a raça dos autores dos crimes em relação ao status socioeconômico dos suspeitos: “Cerca de um sexto de todos os americanos com menos de 18 anos são afro-americanos; nos últimos anos, aproximadamente metade dos jovens detidos por homicídio são afro-americanos”.
A pesquisa de Tamela permanece como uma importante referência acadêmica na análise de tipologias associadas a comportamentos graves na adolescência.