Deputados da oposição acusam governo de proteger depoente que denunciou esquema de propina no INSS
O governo Lula (PT) atuou para impedir a convocação de Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Claro havia relatado à Polícia Federal que o ex-patrão pagava propina em dinheiro vivo em um esquema contra aposentados. Após receber ameaças de morte, decidiu colaborar e “contar tudo”.
O episódio ganhou destaque depois que o deputado Rogério Correia (PT-MG) retirou, 17 dias após apresentá-lo, seu próprio pedido de convocação da testemunha.
Suspeitas levantadas
A decisão gerou críticas. Para a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), a manobra mostrou que a investigação estava no caminho certo: “Chegamos ao cara”, afirmou.
Dos 90 requerimentos de convocação e quebra de sigilo analisados na última sessão da CPMI, apenas dois foram rejeitados — ambos relacionados ao depoimento de Edson Claro.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ex-promotor, reagiu com indignação: “Testemunha boa é de dentro do esquema”, declarou.
Já Marcel van Hattem (Novo-RS) considerou um erro estratégico: “Não há motivo para deixar de ouvir a testemunha mais importante”. O parlamentar prometeu reapresentar o pedido.
Petista ganha visibilidade após flotilha ser barrada em Israel
Enquanto isso, integrantes do PT do Ceará celebraram a repercussão da participação da deputada Luizianne Lins em uma expedição interceptada pelas Forças de Defesa de Israel. A parlamentar gravou um vídeo afirmando que, se ele fosse divulgado, significaria que teria sido sequestrada. A gravação foi criticada como uma encenação, já que, segundo opositores, jamais houve risco real de sequestro.
Ativistas de esquerda de outros países, como Rima Hassan (França) e Mariana Mortágua (Portugal), adotaram estratégias semelhantes para chamar atenção.
Chamou atenção também a atitude de alguns participantes da flotilha, que teriam lançado seus celulares ao mar antes da abordagem israelense.
Outros destaques políticos
- Arthur Lira (PP-AL) comemorou a aprovação unânime da ampliação da isenção do Imposto de Renda, considerando uma vitória contra o Senado e uma demonstração de sua força política na Câmara.
- O economista Marcos Cintra criticou a medida, alertando para risco de fuga de capitais e chamando a decisão de “despautério”.
- O deputado Osmar Terra (PL-RS) apoiou a redução, mas criticou a falta de cortes de gastos: “Lula gasta como se não houvesse amanhã”.
- O Ministério da Saúde voltou atrás em nota que associava o cantor Hungria à intoxicação por metanol, admitindo erro no anúncio.
- O ex-presidente Jair Bolsonaro completa dois meses preso em Brasília sem denúncia formal da PGR. Ele pediu autorização para falar livremente por telefone com advogados de São Paulo.
- A Universidade Brasil afirmou que recursos do governo citados em evento com José Dirceu são do Fies e Prouni, destinados ao pagamento de mensalidades e benefícios fiscais.
- O prefeito petista de Ararendá (CE) gerou polêmica após declarações ofensivas contra religiões de matriz africana. Até o momento, ministérios do governo federal não se pronunciaram.
- No Senado, o governo espera tramitação rápida da proposta que amplia a isenção do IR, com votação prevista para novembro.