PT corta verba da campanha de Haddad ao governo de São Paulo e provoca demissões na equipe
Direção do PT reduziu verba da campanha de Haddad ao governo de São Paulo, forçando demissões na equipe de marketing e paralisação do impulsionamento digital
Por ContraFatos 21/09/2026 Atualizado em 21/09/2026
Haddad durante entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura (@nadjakouchi / Acervo TV Cultura/Divulgação)
Cortes nos repasses obrigaram demissão de profissionais de marketing e paralisaram impulsionamento digital
Em um cenário desfavorável nas pesquisas eleitorais, a campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo sofreu um revés interno. A direção nacional do PT determinou a redução dos repasses financeiros destinados à candidatura do ex-ministro da Fazenda no maior colégio eleitoral do país — Estado historicamente decisivo para as disputas presidenciais.
Marqueteiro confirma cortes e fala em desmobilização
Otávio Antunes, marqueteiro responsável pela campanha petista no Estado, confirmou os cortes. A medida foi interpretada internamente como “um movimento de desmobilização”. Diante da redução de recursos, coordenadores da campanha precisaram demitir integrantes da equipe de marketing e suspender o impulsionamento de conteúdos nas redes sociais do candidato.
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Números oficiais revelam dependência do fundo eleitoral
Dados disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o PT já havia transferido 15 milhões de reais do fundo eleitoral para a campanha de Haddad em São Paulo. Esse montante representa praticamente a totalidade da receita do candidato.
Os gastos registrados pela campanha somam aproximadamente 12,2 milhões de reais. Desse total, quase 53% — cerca de 6,5 milhões de reais — foram destinados à contratação da Urissane Comunicação, agência pertencente a Otávio Antunes, que presta serviços ao partido de forma recorrente.
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Momento crítico: pesquisas apontam possível vitória de Tarcísio no primeiro turno
A decisão de restringir o financiamento aconteceu justamente quando indicadores eleitorais sugerem que a disputa paulista pode ser encerrada já na primeira rodada de votação. O levantamento mais recente do instituto Datafolha apontou Tarcísio de Freitas com 49% das intenções de voto, contra apenas 29% de Haddad nos cenários simulados de primeiro turno. Na pesquisa anterior, Tarcísio registrava 45% e o petista, 27%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Partido não se manifestou sobre a decisão
VEJA procurou a direção nacional do PT para obter explicações sobre os motivos que levaram aos cortes em um Estado tão relevante — inclusive para os planos de reeleição de Lula no âmbito federal. Até a publicação da reportagem, a legenda não havia dado retorno.