Um levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, com base em dados da própria Secom, do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) e do Siga Brasil, mostra que os pagamentos do primeiro semestre de 2026 ficaram 57% acima do mesmo intervalo de 2025, já descontada a inflação. Quando a comparação é feita com 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, a diferença salta para 219%.
Orçamento prevê quase R$ 585 milhões adicionais para campanhas
Além dos R$ 255,3 milhões já pagos, outros R$ 584,7 milhões foram empenhados no Orçamento de 2026 para novas campanhas institucionais. Esse empenho sinaliza que o ritmo de investimentos em comunicação governamental deve se manter elevado ao longo do segundo semestre.
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Entrar no grupo Secom justifica valores e cita contratos de anos anteriores
A Secom informou que apenas 17,3% do valor desembolsado neste ano corresponde efetivamente a despesas geradas em 2026. Segundo o órgão, parte significativa dos pagamentos diz respeito a contratos firmados em exercícios anteriores, que podem remontar aos últimos cinco anos.
O órgão também sustentou que os investimentos têm como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre políticas públicas e serviços oferecidos pelo governo federal, e que todas as ações seguem os critérios previstos na legislação vigente.
PL aciona o TSE pedindo suspensão de campanhas
A reportagem destaca que, desde 2009, nunca houve um patamar tão elevado de despesas com comunicação governamental em um único semestre. E o cenário ganha contornos políticos: desde 2022, a legislação eleitoral passou a limitar os empenhos com publicidade institucional em ano eleitoral, e não mais as despesas efetivamente realizadas.
Diante do volume de recursos, o PL acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar a suspensão das campanhas publicitárias do governo Lula, sob a alegação de excesso de gastos. Em resposta, a Secom afirmou que cumpre integralmente as regras eleitorais e todas as normas que disciplinam a publicidade institucional.