O resultado? Uma correlação entre posições políticas mais à esquerda e maior frequência de diagnósticos como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
Agora, antes que alguém grite “correlação não é causalidade” — sim, os próprios autores dizem isso. Mais de uma vez. Reconhecem limitações. Pedem mais pesquisas. Fazem todas as ressalvas que o rigor científico exige.
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Entrar no grupo A questão interessante não é o estudo em si. É a reação a ele.
Quando uma pesquisa sugere que conservadores são menos empáticos ou menos abertos a novas experiências, ela é celebrada em editoriais e compartilhada como verdade revelada. Quando o dado aponta na direção oposta — sugerindo que progressistas apresentam mais indicadores de fragilidade psicológica —, o mesmo público que adora “seguir a ciência” subitamente descobre as limitações metodológicas da pesquisa acadêmica.
É a seletividade científica no seu estado mais puro.
O estudo também identificou algo curioso: características estéticas como cabelos tingidos em cores chamativas e uso de piercings apareceram com mais frequência entre os entrevistados de posições progressistas. Os pesquisadores mencionam trabalhos anteriores que investigaram possíveis relações entre modificações corporais e indicadores psicológicos — sem cravar causalidade, mas apontando padrões recorrentes.
Nada disso é, por si só, uma sentença. Fatores sociais, culturais e demográficos podem influenciar tanto as preferências políticas quanto os indicadores de saúde mental. Pessoas em contextos de maior vulnerabilidade podem, simultaneamente, desenvolver visões mais à esquerda e enfrentar mais desafios psicológicos. Isso não invalida o dado — contextualiza.
Mas há um detalhe que poucos querem admitir.
A cultura progressista contemporânea incentiva ativamente a patologização da experiência humana. Ansiedade virou identidade. Diagnóstico virou biografia. Em certos círculos, ter um transtorno mental é quase uma credencial de autenticidade — e quanto mais diagnósticos, mais “consciente” o indivíduo se considera. Seria surpreendente se esse ambiente não produzisse mais relatos de problemas de saúde mental?
A pergunta que ninguém faz é simples: os dados refletem uma realidade clínica ou uma cultura que transformou sofrimento em moeda social?
Os autores pedem cautela. E têm razão. Mas cautela não significa silêncio. Significa analisar o dado com honestidade, sem transformá-lo em arma política — nem em tabu.
Se a ciência é para ser seguida, que seja seguida quando confirma nossas crenças e quando as desafia. Ou a ciência só vale quando aponta o dedo para o lado de lá?