Quem era Michele Leão, capitã da PM morta em Belo Horizonte
Família de Michele Leão relembra a capitã da PM como mulher alegre, dedicada à carreira militar e profundamente apaixonada pelo filho
Por ContraFatos 22/07/2026 Atualizado em 22/07/2026
De acordo com familiares, a alegria era uma das características mais marcantes da prima
Parentes descrevem a trajetória de uma policial militar determinada, afetuosa e presente na vida familiar
Para quem convivia com Michele Leão Azevedo, a capitã da PM que morreu aos 41 anos em circunstâncias investigadas pelas autoridades era muito mais do que uma oficial da corporação. A família guarda a memória de uma mulher disciplinada, afetuosa e determinada, que conseguiu equilibrar uma carreira militar em ascensão com a dedicação integral à maternidade.
O sorriso que marcava quem estava por perto
Em depoimento à RECORD Minas, o primo Jonathan destacou a leveza que Michele transmitia em qualquer ambiente, mesmo quando a vida pessoal trazia dificuldades. “Ela sempre chegava em você com aquele sorrisão dela, independente da situação, te dava um abraço, te dava um oi. Ela realmente estava ali para você. A pessoa que estava, independente da situação, independente da vida corrida, ela estava sempre ali para a gente”, relembrou.
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Para Jonathan, a alegria era uma das características mais marcantes da prima. Apesar da rotina intensa imposta pela carreira militar, Michele fazia questão de manter proximidade com os familiares e participar dos encontros sempre que possível.
Uma mãe profundamente apaixonada
O vínculo entre Michele e o filho era visível para todos ao redor. Segundo Jonathan, bastava observar os dois juntos para perceber a intensidade da relação. “Uma mãe carinhosa. Ela sempre estava ali. Você realmente via o amor dela com ele. Você realmente via a paixão que ela se entregava, independente da situação que estava acontecendo na vida dela”, afirmou o primo.
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O tio Marlon reforçou essa percepção. De acordo com ele, a policial nunca permitiu que as exigências profissionais comprometessem a atenção dedicada ao menino. “Basta ver os vídeos, basta ver as fotos, que a gente vê o carinho que ela tinha para o filho, se dava para o filho, cuidando do filho”, disse.
Carreira militar construída com disciplina e determinação
A trajetória de Michele Leão na Polícia Militar começou ainda cedo, inspirada pelo próprio tio Marlon, que já seguia a vida militar. Ela ingressou no Colégio Militar e, a partir dali, galgou posições dentro da corporação de forma constante.
“Eu fui primeiro, fiz Colégio Militar. Depois, quando ela teve a oportunidade, fez o concurso, entrou para o Colégio Militar, entrou como sargento na Polícia Militar, foi galgando, cabo, subtenente, fez para oficial. Estava galgando uma carreira bacana”, contou Marlon.
Marlon também ressaltou que a dedicação aos estudos sempre acompanhou a sobrinha. Cada etapa profissional era encarada como um novo desafio, e Michele buscava evoluir de forma contínua. “Ela era uma pessoa dedicada à carreira. Sempre passou nos concursos que buscou fazer, foi sempre uma boa aluna no Colégio Militar”, afirmou.
Para os familiares, cada promoção alcançada representava o resultado de anos de estudo, esforço e disciplina — marcas da personalidade da capitã.
Acolhedora mesmo diante das adversidades
Apesar da rotina exigente da corporação, Michele preservava um jeito acolhedor que, segundo a família, conquistava qualquer pessoa. Jonathan reforça que, independentemente das dificuldades enfrentadas, ela jamais deixava de demonstrar carinho por quem estava ao seu redor.
“Ela sempre chegava em você com aquele sorrisão dela… Ela realmente estava ali para você”, repetiu o primo, tentando sintetizar quem era Michele.
O que se sabe sobre a morte da capitã
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu na noite de segunda-feira (20) após dar entrada no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, apresentando múltiplas lesões e já sem sinais vitais. Quem a levou à unidade de saúde foi o marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos. Ele declarou aos médicos que a esposa havia caído da escada do apartamento onde moravam, no bairro Palmares, região Nordeste da capital.
A versão passou a ser questionada quando a equipe médica identificou diversos hematomas e ferimentos que, a princípio, seriam incompatíveis com uma queda acidental. A Polícia Militar foi acionada e deu início às diligências ainda na mesma noite.
Câmeras de segurança do prédio captaram o momento em que Eduardo sai do apartamento carregando Michele até a garagem, antes de seguir ao hospital. No imóvel, durante buscas realizadas por militares, foram encontrados vestígios de sangue espalhados por diferentes cômodos, um bastão de madeira quebrado e roupas aparentemente lavadas na máquina após os fatos.
Em entrevista coletiva, a Polícia Militar informou que os levantamentos iniciais apontam indícios de um relacionamento abusivo entre o casal. A investigação também identificou registros anteriores de agressões envolvendo os dois. Eduardo foi preso e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde a Polícia Civil conduz as investigações.
A defesa do sargento nega que Michele tenha sido vítima de agressões, sustentando que os ferimentos resultaram da queda da escada e de práticas sexuais consensuais do casal. A família da capitã, no entanto, contesta essa versão, cobra o esclarecimento completo dos fatos e afirma confiar no trabalho da perícia para determinar o que de fato ocorreu dentro do apartamento.
De acordo com familiares, a alegria era uma das características mais marcantes da prima