No período de maior atividade, a companhia chegou a manter 96 lojas próprias espalhadas por mais de 70 cidades paulistas, gerando mais de 5 mil empregos diretos. Porém, a escalada dos juros, o acirramento da concorrência no varejo alimentar e os impactos fiscais gerados pela aquisição do Grupo Russi comprometeram a saúde financeira do negócio, conforme apontou o laudo econômico apresentado pela própria empresa.
Credores rejeitam plano e Justiça muda o rito
O caminho até a falência passou pela rejeição do plano de recuperação em assembleia de credores realizada no dia 14 de julho. A proposta não conseguiu aprovação na Classe III, formada por credores sem garantia real. A Justiça avaliou que não havia condições para aplicar a chamada homologação forçada (cram down), de acordo com informações publicadas pela revista Exame.
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Entrar no grupo Em agosto, um grupo de credores apresentou um plano alternativo. A ideia era criar uma unidade produtiva isolada no setor de laticínios. No entanto, a adesão foi de apenas 0,185% dos créditos — muito abaixo do quórum mínimo de 35% exigido para que a votação fosse válida. Diante do impasse, a administradora judicial Vivante recomendou formalmente a decretação da falência.
Irregularidades identificadas pela administradora judicial
A Vivante apontou uma série de problemas graves durante o processo de recuperação:
- Falta de documentos: o Grupo Ricoy deixou de enviar relatórios operacionais, financeiros, contábeis e trabalhistas desde fevereiro de 2026.
- Fim das atividades: em agosto, nenhuma unidade do grupo mantinha operação plena.
- Desvio de receitas: foram identificadas máquinas de cartão que direcionavam pagamentos a empresas externas, alheias ao grupo em recuperação.
Apesar de a empresa ter alegado que enfrentava um desequilíbrio conjuntural temporário, a rápida redução do número de lojas e o esvaziamento progressivo das operações tornaram inviável qualquer tentativa de manter o negócio funcionando.
Como está dividida a dívida de R$ 461 milhões
O passivo total mapeado no último relatório da administração judicial alcançou R$ 461,2 milhões, distribuídos entre 4.671 credores da seguinte forma:
- Credores trabalhistas: R$ 50,7 milhões, envolvendo 2.824 credores.
- Credores da Classe III (sem garantia real): R$ 385,9 milhões, com 653 credores.
- Micro e pequenas empresas: R$ 24,6 milhões, abrangendo 1.194 empresas.
O que acontece com as 33 empresas a partir de agora
A decisão judicial atinge 33 empresas ligadas ao Grupo Ricoy, incluindo holdings, distribuidoras, supermercados e a bandeira Vencedor Atacadista. Com a tentativa de reestruturação oficialmente encerrada, a Justiça passa agora à fase de arrecadação, avaliação e leilão dos ativos remanescentes.
O objetivo é quitar as dívidas seguindo a ordem de prioridade estabelecida pela legislação falimentar brasileira. Todas as habilitações de crédito registradas no processo de recuperação judicial foram automaticamente migradas para o rito falimentar.