“Se o inimigo decidir se meter, não é uma tarefa na qual ele tenha chances de vitória. Quem acredita que basta lançar duas bombas e já nos rendemos não nos conhece. Não tem a menor ideia do que é feito o povo da Venezuela”, afirmou Cabello.
Ameaça direta aos “inimigos da pátria”
O ministro utilizou tom ameaçador ao advertir os opositores do regime.
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Entrar no grupo “Quando derem um passo, saibam que estão enfrentando um povo capaz de devorar vivo qualquer um. E quando falo em devorar vivo, não estou brincando. Estou falando sério”, declarou, sob aplausos dos presentes.
Cabello descreveu a nova milícia como formada por trabalhadores rurais que conhecem profundamente o terreno e as ferramentas do campo, capazes de utilizá-las tanto para o trabalho quanto para a defesa armada.
“Quem se meter aqui sabe que vai aparecer um camponês com um facão na mão, em qualquer lugar, em qualquer esquina, com um fuzil. As armas da nação estão nas mãos do nosso povo para proteger a pátria de qualquer inimigo, seja ele quem for, venha de onde vier”, afirmou o ministro.
Milícia criada em meio à tensão com os EUA
A criação da força camponesa ocorre num momento de tensão militar crescente entre a Venezuela e os Estados Unidos. Desde agosto, o governo norte-americano mantém um destacamento militar com 10 mil homens no Caribe, segundo a Casa Branca.
Os EUA afirmam que as operações têm caráter antinarcóticos, com o objetivo de interceptar embarcações de tráfico de drogas em águas internacionais próximas à costa venezuelana. Até o momento, as ações resultaram na destruição de várias embarcações e na morte de cerca de 30 traficantes, conforme comunicado do governo americano.
O comando norte-americano informou ainda que o contingente é composto por fuzileiros navais, navios de assalto anfíbio, oito embarcações de guerra e um submarino operando na região do Caribe, com bases principais em Porto Rico.
Contexto político e discurso nacionalista
A iniciativa da milícia reforça o discurso de resistência militar e soberania nacional promovido por Maduro e Cabello, que vêm utilizando a mobilização dos EUA como argumento para consolidar apoio interno.
Para analistas locais, a formação das milícias camponesas faz parte da estratégia de militarização da sociedade venezuelana, na qual o regime busca integrar setores civis às forças armadas, sob o pretexto de proteger a “revolução bolivariana” de ameaças externas e internas.