Regime de Putin denunciado por uso de crianças ucranianas sequestradas em seu exército
Entidades denunciam que Rússia sequestra crianças ucranianas para submetê-las à lavagem cerebral e usá-las em guerra.
Por ContraFatos 07/09/2025 Atualizado em 07/09/2025
Menores ucranianos que estariam sendo submetidos a 'lavagem cerebral' por Moscou a fim de acreditar que são russos e ser enviados à guerra na Ucrânia — Foto: Reprodução/Bring Kids Back Ukraine
Relatórios apontam “lavagem cerebral” e envio de menores a campos de reeducação para lutar contra o próprio país de origem
Com as perdas de soldados russos na guerra da Ucrânia, que já teriam ultrapassado 1 milhão de combatentes, o regime de Vladimir Putin estaria planejando recorrer a milhares de crianças e adolescentes ucranianos sequestrados para recompor suas frentes de batalha e em futuras operações militares no Leste Europeu.
Crianças levadas de casas e abrigos
Segundo a organização Bring Kids Back Ukraine, pelo menos 19 mil menores ucranianos foram retirados à força de casas e abrigos desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
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A maioria desses sequestros ocorreu em áreas de fronteira e regiões de identidades nacionais frágeis. Muitas das crianças acabaram em “campos de reeducação”, onde são submetidas a programas de doutrinação.
A ideia central, segundo a Human Rights Watch, é convencer os menores de que são russos e de que seus pais ucranianos os “abandonaram”.
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Um relatório do Ministério da Defesa do Reino Unido aponta que, após a lavagem cerebral, muitos desses jovens seriam forçados a participar diretamente da guerra quando atingirem a maioridade — e há indícios de que alguns já foram enviados ao front.
“A alta liderança russa quase certamente vê as crianças ucranianas sequestradas como uma fonte potencial de pessoal atual e futuro para o Exército russo”, afirma o documento.
O governo britânico alerta que eventuais mortes de crianças ucranianas em combate provavelmente receberiam “mínima ou nenhuma objeção” da opinião pública russa, grande parte dela desinformada sobre os sequestros.
Repercussão internacional
Em 2023, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra Vladimir Putin e sua comissária para a Infância, Maria Lvova-Belova, responsabilizando-os diretamente pela política de sequestros.
Enquanto isso, o Kremlin insiste que a transferência de menores ucranianos é uma medida “humanitária”.