De acordo com as estimativas dos parlamentares, o custo total do programa pode chegar a £ 15,3 bilhões (R$ 109,7 bilhões) até 2029, um valor mais de três vezes superior aos £ 4,5 bilhões (R$ 32,2 bilhões) registrados em 2019, quando os conservadores ainda estavam no poder.
Pressão política e caso recente
A publicação do relatório veio dias após a prisão de um requerente de asilo etíope, libertado por engano da prisão onde cumpria pena por agressão sexual. O homem morava em um hotel para migrantes em Epping, região próxima a Londres, e o caso reacendeu protestos antimigrantes em frente a hotéis em diversas cidades britânicas entre julho e agosto.
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Entrar no grupo Pela Lei de Imigração e Asilo de 1999, o governo é obrigado a garantir acomodação para solicitantes de asilo enquanto seus processos estão sob análise. No entanto, o relatório indica que o uso prolongado de hotéis se tornou uma solução de emergência permanente, gerando altos custos e resistência local.
Crescimento recorde no número de migrantes
De acordo com o Ministério do Interior britânico, 32 mil migrantes estavam hospedados em hotéis em junho de 2025, de um total de 103 mil requerentes de asilo, número muito superior ao de setembro de 2023, quando o país registrava 56 mil pessoas nessas acomodações.
Além dos hotéis, o Reino Unido utiliza centros de detenção, bases militares adaptadas e apartamentos compartilhados como locais de abrigo. O país, contudo, não registra acampamentos de migrantes ilegais em vias públicas, como ocorre em países como a França.
A parlamentar Karen Bradley, presidente do comitê responsável pelo relatório, afirmou à BBC Radio 4 que os custos subiram devido ao aumento inesperado na chegada de migrantes. “Simplesmente acabamos com mais pessoas do que o previsto nos contratos, e isso elevou muito os custos”, explicou.
Travessias no Canal da Mancha seguem em alta
A crise migratória continua intensa. Desde 1º de janeiro de 2025, 36.954 pessoas desembarcaram na costa inglesa após cruzar o Canal da Mancha em embarcações improvisadas — número já superior ao total de 2024, que foi de 36.816 migrantes.
Em resposta às críticas, o primeiro-ministro Keir Starmer reafirmou o compromisso de eliminar gradualmente o uso de hotéis até 2029 e prometeu uma reforma abrangente da política de acolhimento de refugiados, priorizando “eficiência, segurança e humanidade”.