Investigação cita relação com empresário conhecido como “Careca do INSS”
O principal foco das apurações envolve a relação entre Lulinha e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo a investigação, Antunes foi preso sob acusação de liderar um esquema bilionário de desvios em aposentadorias. Os investigadores afirmam que o empresário teria financiado uma agenda internacional de Lulinha em Portugal no final de 2024.
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Entrar no grupo De acordo com a PF, o roteiro teria como objetivo prospectar terrenos para a empresa World Cannabis, especializada em produtos à base de canabidiol. A suspeita dos agentes é de que a companhia poderia funcionar como estrutura para lavagem de dinheiro proveniente de desvios da Previdência Social.
Defesa diz que relação era apenas social
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva se manifestou sobre o caso em documento encaminhado ao STF na segunda-feira (16).
Os advogados confirmaram que houve contato com Antônio Camilo Antunes, mas afirmaram que a relação era “esporádica e de natureza social”.
Segundo a defesa, o planejamento da mudança para Madri teria começado ainda em 2024, antes de qualquer divulgação pública da Operação Sem Desconto.
No documento, os advogados também afirmam que o interesse de Lulinha no mercado de canabidiol tinha motivações pessoais, relacionadas ao tratamento médico de uma sobrinha, e que ele não teria conhecimento sobre eventual origem ilícita de recursos ligados ao empresário.
PF aponta indícios que contradizem versão da defesa
Apesar das explicações apresentadas, os investigadores afirmam ter reunido elementos que sugerem uma ligação mais próxima entre Lulinha e o empresário investigado.
Entre os materiais analisados pela PF estão documentos apreendidos com o “Careca do INSS”, que registrariam reuniões presenciais entre os dois em Brasília.
Além disso, um ex-funcionário do empresário declarou em depoimento que teria ocorrido o pagamento de uma cota mensal de R$ 300 mil ao filho do presidente.
Investigação analisa possível destino do dinheiro
Até o momento, a análise inicial das contas bancárias de Lulinha não identificou depósitos diretos feitos pelo empresário investigado.
Mesmo assim, a Polícia Federal sustenta a hipótese de que o projeto farmacêutico na Europa, ligado à World Cannabis, poderia ter sido utilizado como destino final de recursos desviados de aposentadorias de milhões de brasileiros.
A investigação continua em andamento e busca esclarecer a origem dos recursos, a relação entre os envolvidos e o possível uso de empresas no exterior para ocultação de valores.