Em maio de 2025, a revista VEJA revelou que familiares de Clezão buscavam ter acesso às investigações sigilosas sobre a morte dele, numa tentativa de esclarecer o que de fato aconteceu dentro da unidade prisional.
O dia da morte segundo testemunha
O detento Manoel Messias Pereira Machado, condenado a 14 anos de prisão em função dos atos de 8 de Janeiro, prestou depoimento à comissão senatorial. Ele relatou que Clezão acordou naquele dia com estado de ânimo “positivo”, mencionando trechos da Bíblia, e se dirigiu ao pátio para atividade recreativa. Poucos minutos depois, começou a passar mal.
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Entrar no grupo “O custodiado apresentou mal súbito, passando a apresentar sinais físicos de comprometimento de saúde, ocasião em que teria sido solicitado atendimento médico”, diz o relatório da comissão ao interpretar o depoimento colhido. “Segundo sua percepção, o socorro demorou a ser prestado, sobrevindo posteriormente o falecimento do interno”.
Pedido de liberdade ignorado
A situação de saúde de Clezão era conhecida antes de sua morte. Com base no quadro clínico grave do empresário, sua defesa havia apresentado um pedido de liberdade provisória. Em setembro de 2023 — dois meses antes do falecimento —, a Procuradoria-Geral da República se posicionou favoravelmente à solicitação. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no entanto, não se pronunciou sobre o pedido, conforme a defesa do empresário.
Clezão morreu de infarto em novembro de 2023, na Papuda. Ele havia sido preso em 8 de Janeiro de 2023, acusado de participar da invasão e depredação das sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do STF. Após sua morte, tornou-se um símbolo da campanha de aliados de Jair Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes.
Relatório encaminhado a órgãos nacionais e internacionais
O colegiado do Senado enviou o relatório sobre as visitas à Papuda a diversos órgãos no país e no exterior. Entre os destinatários estão o Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça, o Ministério Público e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O objetivo é dar conhecimento das informações levantadas durante a diligência e possibilitar eventuais providências.
O caso, que já havia mobilizado fortemente a direita nas redes sociais, pode voltar ao centro do debate público com a divulgação desses novos elementos, intensificando as discussões sobre o tratamento dispensado a presos com problemas de saúde no sistema prisional brasileiro.