Senador afirma que prisão de Bolsonaro é “cortina de fumaça” para encobrir abusos revelados pela Vaza Toga
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, reagiu de forma contundente à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em nota publicada nas redes sociais nesta segunda-feira (4), Marinho afirmou que não considera coincidência o fato de a medida ter sido anunciada no mesmo dia em que novas denúncias contra o ministro foram divulgadas pela série de reportagens conhecida como Vaza Toga.
“Trata-se de uma cortina de fumaça para abafar as denúncias trazidas pelas reportagens investigativas”, escreveu. Para o senador, o Brasil vive atualmente sob uma “jurisprudência de exceções”, em que garantias fundamentais como o devido processo legal, o contraditório e a inviolabilidade de mandatos parlamentares estão sendo relativizadas.
Acusações de abuso de poder
Marinho também acusou Moraes de abuso de autoridade, classificando a situação como um verdadeiro estado de exceção. Segundo ele, Bolsonaro é alvo de um processo movido com base em uma única delatória premiada e teve sua liberdade cerceada por manifestações consideradas como crime de opinião. “Vingança não é justiça”, concluiu.
O senador convocou todos os membros do Senado a reagirem com firmeza e honrarem seus mandatos diante do que considera uma escalada autoritária no âmbito do Judiciário.
Justificativas de Moraes para a prisão
A decisão de Moraes foi fundamentada no suposto descumprimento de medidas cautelares por Bolsonaro, após sua participação indireta nas manifestações “Reage, Brasil”. O ministro citou a publicação de um vídeo por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em que o ex-presidente aparece discursando durante o ato no Rio de Janeiro.
Na interpretação do magistrado, Bolsonaro manteve influência ativa no debate digital e produziu conteúdo deliberado para ser divulgado por aliados, tentando assim burlar as restrições judiciais. Com base nesse entendimento, Moraes determinou:
- Prisão domiciliar do ex-presidente;
- Recolhimento de todos os celulares de sua residência;
- Proibição de visitas, exceto para familiares e advogados.
Também indicou a possibilidade de adoção de medidas mais severas, diante da reiteração de condutas consideradas ilícitas.