Crítica à ampliação da competência criminal do STF
A posição do dirigente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo confronta o movimento adotado pelo STF desde 2023. Naquele ano, a Corte passou a assumir a competência de mais de mil ações penais, muitas delas envolvendo pessoas sem foro privilegiado.
Segundo Sica, a Constituição é clara ao delimitar o alcance do tribunal. O texto constitucional reserva ao STF o julgamento de ações penais apenas contra ocupantes de determinados cargos, como presidente da República, deputados federais, senadores, ministros do governo federal e ministros dos tribunais superiores.
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Entrar no grupo Ele argumenta que, por meio de uma interpretação considerada “inovadora”, o tribunal ampliou esse alcance para incluir ex-presidente, ex-ministros, donas de casa, pequenos empresários e todos os manifestantes do 8 de janeiro, que acabaram sendo julgados e condenados pelo Supremo.
Caso Master e suspeição de Toffoli
Em janeiro, em entrevista a Oeste, Leonardo Sica já havia defendido que o STF não tem competência para julgar o caso Master. Agora, ao comentar a saída de Toffoli da relatoria, ele reconheceu que é relevante o fato de o Supremo afastar, pela primeira vez, um ministro de um processo por suspeição ou impedimento, “embora [o STF] tenha dito que não é”.
A substituição de Toffoli por André Mendonça foi definida após uma reunião reservada entre os dez ministros da Corte.
A forma como o afastamento ocorreu também foi questionada. Um magistrado não pode simplesmente abandonar a relatoria de um processo sem justificativa formal. No entanto, o STF não reconheceu publicamente a suspeição de Toffoli, apesar de ele ter trocado mensagens e supostamente recebido pagamentos do Banco Master. A Corte rejeitou a arguição de suspeição apresentada pela Polícia Federal e ainda divulgou carta pública com elogios ao ministro.
Debate sobre código de conduta
Para Sica, o episódio evidencia a necessidade de aprofundar o debate sobre mecanismos internos de controle e integridade.
“Entendo a resposta do Supremo Tribunal Federal a toda crise do Banco Master nesse momento como superficial, o que demonstra a necessidade de continuar o debate pelo código de conduta para aprimorar os instrumentos de defesa da integridade do tribunal”, afirmou à Folha de S.Paulo.