Fabricantes privilegiam plataformas de streaming, dizem as redes
A queixa central das emissoras é que os fabricantes de televisores conectados reservam espaço privilegiado nos controles remotos para serviços de streaming, enquanto os canais de TV aberta ficam perdidos em meio a menus e submenus. Essa configuração, segundo as redes, dificulta a localização dos canais abertos e contribui para o desespero das emissoras diante da crescente perda de público.
O problema atinge de forma mais intensa telespectadores pouco familiarizados com a tecnologia dos aparelhos modernos. Pesquisas conduzidas pelas próprias emissoras revelam que as reclamações se concentram entre pessoas mais velhas da classe C — faixa demográfica considerada essencial para a sustentação da televisão aberta.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo TV 3.0 já prevê novos comandos nos controles remotos
A articulação está diretamente conectada à implementação da TV 3.0, o novo padrão de televisão digital regulamentado pelo governo federal em agosto de 2025. As regras desse novo sistema já determinam que os receptores compatíveis tenham um botão específico no controle remoto para acessar o catálogo de aplicativos da DTV+. Um segundo comando deve permitir a alternância rápida entre aplicativos, preservando a navegação entre diferentes serviços.
O catálogo da DTV+ poderá exibir até 40 ícones, com posições reservadas para canais públicos.
Emissoras querem ir além da TV 3.0
Não satisfeitas com as previsões já existentes na regulamentação da TV 3.0, as emissoras agora reivindicam um mecanismo adicional e específico para a televisão aberta tradicional. A ideia é que o novo botão leve o telespectador diretamente aos canais, sem a necessidade de navegar por menus complexos dos aparelhos.
Expectativa de decreto presidencial ainda em 2026
O Ministério das Comunicações confirmou que a proposta está em discussão. As emissoras trabalham para que a medida seja formalizada ainda neste ano por meio de decreto presidencial. Até o momento, porém, não há definição sobre o formato, a localização ou o funcionamento do botão de TV aberta nos controles remotos.
A mobilização evidencia o desespero das grandes redes de televisão, que enfrentam uma queda na audiência cada vez mais acentuada e buscam alternativas para não perder ainda mais relevância frente ao avanço irrefreável das plataformas digitais.