Senador Alessandro Vieira diz que decisão de Flávio Dino desmoraliza Fachin na presidência do STF
Senador Alessandro Vieira afirma que decisão de Flávio Dino no STF desmoraliza Edson Fachin e revela disputa de poder entre ministros da Corte
Por ContraFatos 09/09/2026 Atualizado em 09/09/2026
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) (Andressa Anholete/Agência Senado)
Parlamentar sergipano aponta disputa de poder entre ministros e critica o que chamou de “anarquia judicial”
Uma movimentação do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal provocou forte reação no cenário político. O magistrado tomou uma decisão que, segundo críticos, passou por cima do julgamento da Segunda Turma do STF sobre o afastamento de Andrei Rodrigues, além de ignorar um recurso que já estava nas mãos do presidente da Corte, Edson Fachin.
Quem levantou a voz de forma contundente foi o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Em declaração feita nesta quarta-feira, o parlamentar classificou a atitude de Dino como um golpe direto na autoridade de Fachin à frente do tribunal.
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Credibilidade da Justiça em xeque, segundo Vieira
Na avaliação do senador, o episódio representa mais um capítulo de erosão institucional. “De ilegalidade em ilegalidade vão destruindo o que resta de credibilidade da Justiça. A única consequência real da decisão do ministro Dino é intensificar a desmoralização do presidente Fachin, o que aliás parece ser do interesse dele desde a mera sugestão de um código de ética para o STF e da disputa pela vaga para a qual foi indicado Jorge Messias, seu desafeto. Não vejo na decisão absolutamente nenhuma preocupação com a Justiça ou com o funcionamento de investigações policiais”, disse Vieira.
Disputa interna de poder e proteção a aliados
Alessandro Vieira foi além e apontou que os movimentos dentro do STF não guardam relação com a defesa das instituições nem com as investigações conduzidas pela Polícia Federal. Para ele, o que se vê é um embate entre ministros motivado por interesses próprios. “Vejo apenas disputa pelo poder na corte e o esforço para proteger aliados internos como Moraes”, diz Vieira.
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Fachin já analisava recurso da AGU quando foi “atropelado”
O senador reforçou seus argumentos ao lembrar que Fachin já tinha em mãos um recurso da AGU pedindo a suspensão da liminar que determinou o afastamento. O presidente do STF havia, inclusive, concedido prazo de três dias para que o ministro André Mendonça prestasse esclarecimentos sobre o caso.
Mesmo assim, a decisão de Flávio Dino veio antes, proferida em um processo que, segundo Vieira, trata de assunto completamente diferente. “Foi atropelado por uma decisão proferida em um processo que trata de assunto diverso. Essa anarquia judicial vai influenciar diretamente no processo eleitoral, em especial pela intensa repulsa popular ao acordão que se desenha”, diz Vieira.
O episódio reacende o debate sobre os limites da atuação individual dos ministros do Supremo e seus impactos na percepção pública sobre o funcionamento da mais alta corte do país.