“A situação é gravíssima. O sindicato mal consegue pagar os salários dos funcionários”, disse uma fonte ligada à direção.
Entidade sob influência de grupo ligado ao PT
O Sindnapi tem entre seus dirigentes José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele ocupa o cargo de vice-presidente e é apontado como uma das figuras históricas do grupo político que fundou o sindicato no início dos anos 2000, junto à Força Sindical e ao deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).
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Entrar no grupo A crise, porém, expôs uma disputa interna pelo comando da entidade, hoje presidida por Milton Baptista de Souza, o Milton Cavalo. Um de seus antigos aliados, Luiz Antônio Adriano da Silva, ex-secretário-geral, ingressou com ação judicial questionando a legitimidade da eleição que manteve Cavalo no cargo.
Segundo Luiz Antônio, a votação ocorreu com base em um universo “drasticamente reduzido de filiados”, a maioria inadimplente ou sem vínculo comprovado com o sindicato.
Colapso financeiro e investigações
Com a debandada de filiados, a arrecadação do Sindnapi despencou, e a entidade enfrenta dificuldades para manter as operações básicas. Fontes afirmam que funcionários estão com salários atrasados, e alguns serviços de atendimento a aposentados foram suspensos.
Além das perdas de receita, o sindicato é alvo de bloqueios judiciais e auditorias, após a Justiça Federal determinar o congelamento de quase R$ 400 mil em suas contas.
A investigação apura se recursos de mensalidades foram desviados e se houve uso político da estrutura sindical para fins eleitorais.
Contexto político
Fundado no início dos anos 2000, o Sindnapi sempre esteve vinculado à Força Sindical e ao grupo político de Paulinho da Força, com forte interlocução com governos petistas.
Após a morte do fundador João Batista Inocentini, em 2023, Milton Cavalo assumiu a presidência e prometeu “modernizar a entidade”. A crise atual, porém, representa o maior esvaziamento da história do sindicato.