Entidade investigada segue em espaços estratégicos do governo
Apesar do escândalo, a Contag continua ocupando posições de destaque em conselhos e órgãos federais. Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou duas representantes da entidade para o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), responsável por articular políticas públicas contra a fome. Poucos meses depois, a organização garantiu uma nova cadeira no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa.
As nomeações foram vistas por críticos como sinais de blindagem política, enquanto aliados do governo argumentam que a Contag representa um segmento essencial da agricultura familiar e do meio rural.
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Entrar no grupo Contag na COP30: discurso ambiental em meio a suspeitas
Mesmo sob suspeita, a Contag confirmou presença na COP30, onde pretende levar mais de mil integrantes para a Cúpula dos Povos, evento paralelo que reúne movimentos sociais e organizações civis de todo o mundo. A entidade também conseguiu aprovar um painel estratégico na Zona Azul, área oficial da conferência destinada às negociações entre governos e organismos internacionais.
A Confederação anunciou que sua delegação dará destaque a pautas de agricultura familiar, povos indígenas, juventude e sustentabilidade, buscando projetar uma imagem de engajamento climático e social.
“A COP30 será histórica e precisamos estar com força política e capacidade de incidência”, declarou Sandra Paula Bonetti, secretária de Meio Ambiente da Contag.
“A Contag está mobilizada para levar a voz da agricultura familiar e das populações do campo, da floresta e das águas na defesa de uma transição justa dos sistemas alimentares, agroecológica e com justiça social e climática.”
O discurso, no entanto, é visto por parte de analistas como uma tentativa de reposicionar a imagem pública da entidade, duramente abalada pelas suspeitas de fraude bilionária.
Contradição entre denúncias e protagonismo
Enquanto o MPF e a PF seguem apurando o caso, a Contag reforça seu papel político no governo e nas pautas internacionais. Fontes da investigação afirmam que o esquema envolvia descontos automáticos nos benefícios de idosos e aposentados rurais, sem autorização formal dos segurados.
Mesmo assim, a confederação continua sendo uma das principais interlocutoras do Planalto nas políticas agrícolas e sociais, participando de reuniões ministeriais e fóruns internacionais.
Para críticos, a situação revela uma contradição: uma entidade sob suspeita de lesar agricultores pobres agora representa o Brasil em um dos maiores eventos globais de defesa da justiça climática.