“Ele aparentemente começou a se sentir sozinho. Você não percebia, porque ele estava sempre feliz e rindo”, relatou Lihi ao site Walla. “Quando ele saiu, pensei que tinha ido apenas caminhar para refletir, como costumava fazer. Passou uma hora, depois duas…”
Lihi dirigiu-se ao cemitério, onde inicialmente acreditou que o irmão estivesse apenas deitado junto à lápide de Barda — um hábito que ele mantinha desde a tragédia.
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Entrar no grupo “De repente, o vi caído ao lado da sepultura de Liron. Gritei: ‘Bar, levanta! O que você está fazendo aí de novo…?’ e só então percebi que ele estava coberto de sangue. Pisei na arma ao lado dele, entrei em choque e comecei a gritar. Meu pai tentou fazer manobras de ressuscitação, mas eu sabia que era o fim”, lembrou Lihi.
Liron Barda: a namorada que se recusou a fugir
Liron Barda tinha 26 anos e trabalhava como gerente de bar no festival Nova. Quando os terroristas invadiram o evento, ela recebeu apelos desesperados de amigos e familiares para que abandonasse o local. Mesmo assim, tomou a decisão de ficar para prestar primeiros socorros às vítimas baleadas — até ser morta pelo Hamas.
A mãe de Asraf costumava descrever o casal como “almas gêmeas desde a infância”.
“Passamos três dias angustiantes sem saber o paradeiro de Liron. Durante todo esse tempo, Bar não saiu do meu lado e nem da família dela. Desde então, ele manteve um vínculo diário de apoio com os pais de Liron”, afirmou a mãe, que lembrou ainda que o filho havia feito uma tatuagem em homenagem à namorada.
O peso do trauma e a dor silenciosa
Segundo a família, Asraf travava uma luta silenciosa contra o trauma. Além de Barda, ele também perdeu seu melhor amigo no ataque de 7 de outubro.
“Pouco tempo atrás, vi que ele estava triste e perguntei o que havia de errado. Ele me disse: ‘Mãe, é muito difícil sem a Liron. Sinto falta dela. Ninguém pode substituí-la ou me trazer a alegria de volta'”, revelou a mãe.
De acordo com Lihi, o irmão tentava seguir em frente, mas viveu “um momento de dor profunda e solidão ao ver todos reunidos com suas famílias” naquele fim de semana. A irmã descreveu que ele “teve um momento de dor insuportável”.
A tentativa de resgate no dia do massacre
No dia do atentado em 2023, ao saber do ataque ao festival Nova, Asraf pegou seu carro e dirigiu em direção ao evento com o objetivo de resgatar Barda. Ele, no entanto, foi interceptado no caminho — o local já havia sido isolado pelas forças de segurança israelenses.