STJ autoriza cultivo de Cannabis para fins medicinais, aguardando regulamentação da Anvisa e governo federal
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão marcante nesta quarta-feira (13), autorizando por unanimidade o cultivo de Cannabis sativa com baixo teor de THC — a principal substância psicoativa da planta — exclusivamente para fins medicinais. No entanto, essa permissão ainda precisa ser regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo governo federal, que terão um prazo de até seis meses para estabelecer as normas de controle e fiscalização.
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A decisão do STJ responde a um pedido de uma empresa de biotecnologia que buscava a permissão para importar e cultivar o cânhamo industrial, uma variedade da planta com teor de THC inferior a 0,3%. A autorização é limitada ao cultivo para produção de medicamentos e outros produtos terapêuticos. Esse julgamento pode servir como precedente para outras decisões em tribunais inferiores, delineando um novo panorama legal para o cultivo medicinal da cannabis.
Cultivo Exclusivamente para Tratamento Medicinal
Importante destacar que a medida não representa a legalização da maconha para uso recreativo nem autoriza o cultivo com outros propósitos. O foco da decisão é permitir a extração de compostos como o canabidiol (CBD), conhecido por suas aplicações médicas. O CBD, utilizado em diversos tratamentos, tem eficácia comprovada sem os efeitos psicoativos que caracterizam o uso recreativo da planta. Segundo a empresa envolvida, o cânhamo industrial pode ter mais de 25 aplicações tanto industriais quanto medicinais.
Impacto na Produção e Acesso aos Medicamentos
Desde 2019, a Anvisa permite a importação de medicamentos à base de cannabis mediante prescrição médica, mas a matéria-prima precisava ser importada, encarecendo o acesso. A decisão do STJ abre caminho para a criação de uma cadeia de produção nacional, potencialmente facilitando o acesso a esses tratamentos e reduzindo custos para pacientes que necessitam de terapias baseadas em canabidiol.
Limites Legais Mantidos
A nova decisão não tem qualquer relação com a descriminalização do uso recreativo ou tráfico de drogas, práticas ainda proibidas no Brasil. A única exceção é a descriminalização do porte de até 40 gramas de maconha para consumo pessoal, decisão estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho deste ano. O foco do STJ, entretanto, é estritamente medicinal, buscando ampliar o acesso a tratamentos que podem beneficiar milhares de pacientes.