Corte superior busca exceção à determinação do governo Lula que obriga retorno de servidores à Polícia Federal
Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) iniciaram uma articulação direta com o Ministério da Justiça para tentar reverter a ordem do governo Lula que determinou o retorno de delegados da Polícia Federal cedidos ao tribunal. A estratégia busca convencer o Executivo a abrir uma exceção para os tribunais superiores.
A determinação presidencial atingiu mais de 50 órgãos da administração pública e tem como objetivo reforçar os quadros da PF nas ações de combate ao crime organizado. No caso específico do STJ, ao menos quatro delegados federais deverão deixar a Corte e retornar à corporação policial.
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Papel criminal do STJ é principal argumento nas negociações
Nas tratativas com a pasta comandada pelo governo federal, integrantes do tribunal têm enfatizado a relevância do STJ na esfera criminal. Um dos pontos levantados é que dez dos 33 ministros da Corte atuam exclusivamente em processos dessa natureza. A Corte Especial, instância deliberativa máxima do tribunal, também julga casos criminais.
Segundo relatos dos bastidores, os ministros consideram que os delegados da PF exercem papel essencial no suporte técnico a investigações complexas e ações penais que chegam ao STJ. A avaliação interna é que esses profissionais contribuem de forma significativa para a análise de processos de alta complexidade, sobretudo os de caráter criminal.
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STF foi excluído da medida e exceção irrita integrantes do STJ
O governo decidiu excluir o Supremo Tribunal Federal (STF) do alcance da medida, o que gerou descontentamento nos corredores do STJ. Durante as negociações com o Ministério da Justiça, integrantes da Corte têm mencionado justamente essa exceção concedida ao Supremo como argumento para obter tratamento semelhante.
A ofensiva institucional do STJ revela a tensão entre o Judiciário e o Executivo em torno da gestão de recursos humanos da Polícia Federal. Enquanto o governo Lula busca concentrar efetivo nas operações contra o crime organizado, o tribunal defende que a presença de delegados é indispensável para o funcionamento adequado da jurisdição criminal no país.
A decisão de recolher delegados e agentes cedidos a outros órgãos partiu do Ministério da Justiça por ordem direta do presidente Lula. O desfecho das negociações ainda é incerto, e o STJ segue pressionando por uma solução que preserve seus quadros técnicos.