STM ilumina fachada com cores do arco-íris e levanta debate sobre ativismo político no Judiciário Militar
STM ilumina prédio com cores do arco-íris pela primeira vez em 218 anos e gera debate sobre ativismo político no Judiciário Militar
Por ContraFatos 10/06/2026 Atualizado em 10/06/2026
Prédio do STM é iluminado com cores do arco-íris (Divulgação/Divulgação)
Tribunal com mais de dois séculos de história adota gesto inédito no mês do Orgulho LGBTQIA+, gerando questionamentos sobre os limites da atuação institucional
O prédio do Superior Tribunal Militar (STM) recebeu iluminação nas cores do arco-íris em referência ao mês do Orgulho LGBTQIA+. A iniciativa, inédita nos 218 anos de existência da corte, foi determinada pela gestão da ministra-presidente Maria Elizabeth Rocha e imediatamente reacendeu a discussão sobre até que ponto tribunais devem se engajar em manifestações que, para muitos analistas, ultrapassam a esfera estritamente jurídica.
Gesto simbólico ou ativismo político?
A decisão do STM de adornar sua sede com as cores da bandeira LGBT chama atenção não apenas pelo ineditismo, mas pelo contexto em que ocorre. Tribunais, por definição, existem para julgar com imparcialidade. Quando uma corte — especialmente a Justiça Militar — assume publicamente bandeiras associadas a pautas sociais específicas, é legítimo perguntar se o gesto não compromete a percepção de neutralidade que deveria nortear o Poder Judiciário.
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A ministra-presidente Maria Elizabeth Rocha defendeu a ação como algo que vai além do simbolismo. Segundo ela, trata-se de “uma afirmação pública de compromisso institucional com a dignidade humana, com o respeito às diferenças e com a construção de uma sociedade em que nenhuma pessoa seja diminuída por sua forma de existir, amar, sentir ou participar da vida coletiva”.
Declaração da ministra-presidente
Prédio do STM é iluminado com cores do arco-íris (Divulgação/Divulgação)
Em pronunciamento oficial, Maria Elizabeth Rocha foi enfática ao justificar a escolha: “As cores que hoje revestem esta Casa não são mero ornamento. Elas comunicam uma mensagem clara: a Justiça não pode permanecer indiferente às desigualdades que atravessam a experiência concreta de determinados grupos sociais. Ao contrário, deve estar atenta às vulnerabilidades historicamente produzidas e às barreiras que, muitas vezes, impedem que a igualdade prometida pela Constituição se realize de maneira efetiva”.
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O que deveria ser uma instituição dedicada exclusivamente à aplicação do direito militar agora se posiciona de forma aberta em questões identitárias. O STM, que ao longo de mais de dois séculos nunca havia promovido ação semelhante, rompe uma tradição de sobriedade institucional que sempre caracterizou a Justiça castrense. Críticos apontam que tribunais não foram criados para aderir a movimentos sociais — por mais legítimos que sejam —, mas para garantir a aplicação equânime da lei, sem sinalizar alinhamento a qualquer agenda.
A iluminação do prédio, apresentada como homenagem ao mês do Orgulho LGBTQIA+, acaba funcionando como um termômetro da crescente politização das instâncias judiciais brasileiras. Quando cortes se transformam em plataformas de causas sociais, a fronteira entre Justiça e ativismo político se torna perigosamente tênue — e quem perde é a credibilidade do próprio Judiciário.