Tagliaferro acusa parceiros de Moraes de pedidos irregulares no TSE
Tagliaferro diz que parceiros de Moraes pediam relatórios no TSE e afirma temer represálias caso volte ao Brasil.
Por ContraFatos 02/09/2025 Atualizado em 02/09/2025
Eduardo Tagliaferro ao lado do ministro do STF Alexandre de Moares (Foto: Reprodução/Instagram)
Ex-chefe de assessoria do TSE relata pressão externa e diz temer represálias
O ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Eduardo Tagliaferro, declarou nesta terça-feira (2), em depoimento à Comissão de Segurança Pública do Senado, que parceiros do ministro do STF Alexandre de Moraes, à época presidente da Corte Eleitoral, faziam pedidos de relatórios sobre críticas a instituições brasileiras.
Segundo ele, havia solicitações de integrantes da UFRJ, da UFMG e da Agência Lupa.
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“Uma simples crítica a ministro do Supremo, instituições brasileiras, urnas, eleições e até ao Lula já motivava o monitoramento”, afirmou.
Pedidos feitos por fora do rito oficial
Tagliaferro explicou que os relatórios eram entregues formalmente dentro do processo legal, mas que as demandas chegavam por canais informais, como grupos de WhatsApp ou conversas paralelas.
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“Nós devolvíamos via rito oficial ao gabinete de Moraes, seja no TSE ou no STF. Mas diziam que o rito normal demoraria muito e que a democracia precisava de celeridade”, relatou.
Medo de perseguição
Residente na Itália, Tagliaferro tem sua extradição solicitada por Moraes ao Ministério da Justiça. Ele é denunciado pela PGR pelo vazamento de conversas internas de servidores do STF e do TSE.
Em entrevista recente à Revista Oeste, ele afirmou não pretender voltar ao Brasil por receio de represálias.
“Sei quem é Moraes. Sei que se eu estiver aí, é para me calar. Podem até simular algo para tirar a minha vida”, declarou.
Durante o depoimento no Senado, repetiu o temor:
“Estou disposto a contribuir com a verdade, para que o Brasil e o mundo saibam — desde que eu esteja vivo para isso.”