TCU livra Janja de investigações sobre viagens internacionais com dinheiro público
TCU arquivou dois processos sobre viagens internacionais de Janja com dinheiro público, concluindo que não houve irregularidades nos gastos com comitivas oficiais
Por ContraFatos 20/07/2026 Atualizado em 20/07/2026
Em discurso na Espanha, Janja chama redes sociais de poder invisível: "Está acima de todos" | Foto: Reprodução/X
Tribunal de Contas da União encerra processos e considera que não houve irregularidades nas custosas agendas da primeira-dama no exterior
Mais uma vez, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, sai ilesa de questionamentos sobre o uso de recursos públicos em suas viagens internacionais. O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu arquivar dois processos que investigavam a participação dela em agendas oficiais no exterior — viagens que, vale lembrar, envolvem passagens aéreas internacionais, comitivas, equipes de apoio e toda a estrutura logística bancada pelo contribuinte brasileiro.
Oposição questionou legalidade e custos das viagens
As representações foram protocoladas por parlamentares da oposição que levantaram dúvidas legítimas sobre os gastos públicos associados ao estilo de vida itinerante da primeira-dama. O deputado Filipe Barros (PL-PR), ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, solicitou ao TCU que apurasse a legalidade da viagem antecipada de Janja a Nova York, nos Estados Unidos, em setembro de 2025 — antes mesmo da participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas.
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Já a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) protocolou a segunda representação. Zambelli colocava em xeque os gastos com a equipe de apoio que acompanha a primeira-dama e apontava suposto desvio de finalidade nas viagens internacionais. Os questionamentos tocavam em princípios fundamentais da administração pública: legalidade, economicidade e moralidade administrativa.
Relator votou pelo arquivamento sem maiores consequências
O ministro Jorge Oliveira, relator do processo referente à viagem aos Estados Unidos, votou pelo arquivamento da representação. De acordo com ele, o TCU já havia analisado as despesas relacionadas à viagem e não encontrou “elementos aptos a caracterizar desvio de finalidade ou irregularidade na utilização de recursos públicos”.
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Com base nesse entendimento, o tribunal considerou improcedentes as acusações formuladas pelos parlamentares e determinou o encerramento dos dois processos. As denúncias sobre os luxos das viagens internacionais de Janja — com toda a estrutura de comitiva oficial, hospedagem e deslocamentos no exterior — foram tratadas como questão superada.
Padrão de arquivamento se repete
O desfecho não surpreende quem acompanha o histórico recente. Em abril deste ano, o tribunal já havia arquivado outros processos sobre gastos da primeira-dama com viagens ao exterior. Na ocasião, os ministros entenderam que as despesas seguiram as normas da administração pública e que não havia comprovação de desvio de finalidade.
As ações analisadas pelo TCU faziam parte de uma série de representações apresentadas por congressistas da oposição. À Corte de Contas, os parlamentares questionavam sistematicamente a participação de Janja em agendas internacionais e os custos envolvidos — custos esses arcados integralmente pelo erário, numa época em que o governo federal prega contenção de gastos públicos à população.
O arquivamento sucessivo dos processos levanta um debate inevitável: até que ponto o aparato estatal deve financiar a agenda internacional de uma primeira-dama sem cargo oficial, com direito a comitiva, equipe de apoio e viagens antecipadas a destinos como Nova York? Para o TCU, está tudo dentro da legalidade. Para o contribuinte, resta a conta.