Tebet explora fake news sobre Nossa Senhora Aparecida para se promover nas redes sociais
Simone Tebet aproveitou fake news já desmentida sobre Nossa Senhora Aparecida para se promover nas redes em plena campanha ao Senado
Por ContraFatos 25/09/2026 Atualizado em 25/09/2026
Foto: reprodução
Ex-ministra usa desinformação já desmentida como trampolim eleitoral enquanto concorre ao Senado por São Paulo
Uma fake news envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida virou combustível para oportunismo político. A ex-ministra Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, não perdeu tempo: surfou na onda da desinformação para ganhar visibilidade, publicando uma postagem calculada em suas redes sociais.
A origem da desinformação
Nos últimos dias, passou a circular nas redes uma intriga segundo a qual Flávio Bolsonaro teria o plano de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil caso fosse eleito presidente. A informação é falsa — o projeto sequer existe.
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A fake news ganhou tração depois de ser endossada por Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor e comentarista da GloboNews, durante o programa GloboNews Em Pauta, na noite de quinta-feira, 24. Em sua fala, Fernandes afirmou: “Tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora de Aparecida da condição de padroeira, que pode, sim, surtir efeito entre os católicos a favor do Lula.”
Retratação veio — mas o estrago já estava feito
No programa Edição da Meia-Noite, a própria emissora desmentiu a informação e apresentou um pedido de desculpas. Flávio Bolsonaro reagiu ao desmentido em suas redes sociais com indignação:
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“Globo News se retratando pela MENTIRA de que haveria um ‘movimento’ para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O projeto SEQUER EXISTE! Fiquem espertos, pois a máfia do pt vai espalhar várias mentiras ao longo de todos os dias até as eleições.”
Apesar da retratação, alguns opositores do senador seguem disseminando a informação falsa, na expectativa de desgastá-lo com o eleitorado católico.
O oportunismo de Tebet
É nesse contexto de desinformação já desmentida que Simone Tebet decidiu entrar em cena. A ex-ministra compartilhou uma fotografia sua no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), acompanhada da frase: “Que Nossa Senhora Aparecida proteja o Brasil.”
A postagem, aparentemente inofensiva, foi publicada no exato momento em que o tema estava entre os mais comentados no X justamente por causa da fake news. Difícil acreditar em coincidência. Trata-se de um movimento claramente calculado para capitalizar em cima de uma mentira que já havia sido corrigida publicamente.
Desinformação como palanque
O episódio levanta questões incômodas. Se Tebet sabia que a informação era falsa — e a essa altura seria negligência não saber —, a postagem não passa de um gesto oportunista que se beneficia indiretamente da disseminação de uma fake news. Ao invés de contribuir para esclarecer o público, a candidata preferiu surfar na onda da desinformação para projetar uma imagem religiosa conveniente em plena campanha eleitoral.
É o tipo de atitude que, embora não configure ilegalidade, revela um cálculo político que instrumentaliza até a fé para fins eleitorais — algo que deveria incomodar qualquer eleitor, independentemente de posição ideológica.