Em uma mensagem datada de 29 de novembro de 2024, Roberta questiona Ulisses: “Cadê o dinheiro?”. Logo em seguida, completa: “Tem que levar lá no Fábio”.
O motorista responde: “Tô na rua, indo no depósito. Volto em 10 min”. Depois acrescenta: “Dinheiro tá no porta-malas do Volvo”.
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Entrar no grupo A lobista então instrui: “Tenho almoço no Cidade Jardim. De lá, você pegará Uber, deixará grana no Fábio e pega outro carro”.
Pagamento de quase R$ 27 mil a agência de viagens ligada a Lulinha
Outro diálogo, de 25 de julho de 2024, registra Roberta Luchsinger encaminhando a Ulisses o número “26.809” e ordenando: “Tem que pagar mais isso para Fábio na TTW”.
Ulisses confirma: “Blz, eu tô na região e já faço este corre”. Na sequência, envia um comprovante de depósito no valor de R$ 26.809 para a Agência de Viagens TTW Group.
A TTW é a mesma agência utilizada por Roberta Luchsinger para planejar viagens internacionais — tanto dela quanto de Lulinha. Na empresa trabalha Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e amiga da lobista. Conforme já havia revelado a coluna, Roberta bancava viagens de luxo para o filho do presidente, incluindo uma ida à Finlândia para contemplar a aurora boreal.
Depósito de R$ 100 mil às pressas na véspera de embarque para Lisboa
Um episódio particularmente revelador envolve o ex-secretário de Saúde de Goiânia, Quesede Ayres Henrique. Em tom agressivo, Roberta cobra dele um Pix de R$ 100 mil, alegando que precisava pagar alguém que estava prestes a embarcar.
“Ô Quesede, tu dá um jeito de fazer esse pix, porra, que o homem tá me cobrando, criatura”, escreveu a lobista.
“Já tá indo”, respondeu o ex-secretário.
Às 18h20 do dia 8 de novembro de 2024, Roberta insistiu: “Fez? Ele vai embarcar e tá me enchendo o saco”.
Naquela mesma noite, Lulinha embarcou em um voo da Latam em Guarulhos com destino a Lisboa. A aeronave partiu às 22h40, com o empresário ocupando o assento 6J, na classe “premium business”. O embarque teve início às 21h40 e foi encerrado às 22h20. A bordo do mesmo voo, na poltrona 3A, estava o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Quesede cumpriu a solicitação naquela noite e depositou os R$ 100 mil na conta da empresa RL Consultoria, pertencente a Roberta Luchsinger. O valor foi transferido por meio de uma empresa comercial sediada em Goiânia.
“Meu sócio é guloso”, disse a lobista sobre Lulinha
Em diversas mensagens destinadas a terceiros, Roberta Luchsinger se refere ao filho do presidente como seu “sócio”. Em dezembro de 2023, ela escreveu a Quesede: “meu sócio é guloso tá”. O ex-secretário respondeu: “Eu também seria”, e completou: “No lugar dlee (dele) né”.
Quesede Ayres Henrique se entregou à polícia em dezembro de 2024. Ele era alvo de investigações sobre suspeitas de desvio de R$ 10 milhões na pasta da Saúde da Prefeitura de Goiânia. Segundo as apurações, Roberta Luchsinger auxiliava o ex-secretário na liberação de recursos federais para a prefeitura e, em troca, recebia comissões por meio de contas de terceiros.
Três inquéritos no STF investigam Lulinha e Roberta Luchsinger
Os fatos envolvendo Lulinha e Roberta Luchsinger são atualmente apurados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O mais avançado investiga suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde para viabilizar a venda de fármacos derivados de maconha, como o CBD. Nesse caso, os investigados são Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Além da conexão com a lobista, Lulinha atuava junto com o Careca do INSS na empresa de maconha medicinal Cannabis World. Ambos viajaram juntos para Portugal e Espanha, onde o filho do presidente vive desde meados do ano passado.
Um segundo inquérito trata de pagamentos que teriam sido feitos por Roberta Luchsinger a pessoas próximas ao presidente Lula, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A terceira investigação se concentra em possível tráfico de influência na Dataprev, empresa pública responsável pelo processamento de dados.