A fêmea da mariposa-da-seda libera essa substância como atrativo sexual. Ao ser exposto a ela, o macho bate as asas e caminha contra o vento, rumo à fonte. Trata-se de uma reação inata, sem qualquer aprendizado envolvido. Ratos, porcos e gatos também produzem e detectam feromônios, geralmente com o objetivo de atração de parceiros ou demarcação territorial.
Nem todo feromônio animal possui cheiro perceptível
Um aspecto fundamental é que a definição de feromônio não depende de ele ter fragrância nem do órgão responsável pela captação. Algumas dessas substâncias são voláteis e possuem odor — o bombykol, por exemplo, é captado por receptores olfativos comuns localizados nas antenas da mariposa.
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Entrar no grupo Outras, porém, são completamente imperceptíveis aos nossos sentidos, como os difusores Feliway, utilizados para acalmar gatos. O que caracteriza um feromônio é a confiabilidade da resposta que ele provoca em membros da mesma espécie, independentemente de possuir cheiro.
Humanos não possuem a anatomia necessária para captar feromônios
Para que um feromônio funcione, é necessário um aparato biológico capaz de recebê-lo. Em muitos animais quadrúpedes, esse papel é desempenhado pelo órgão vomeronasal, uma pequena estrutura localizada na cavidade nasal e conectada a uma região específica do cérebro chamada bulbo olfatório acessório.
Contudo, não é obrigatório que exista um órgão dedicado. Diversos feromônios são detectados pela infraestrutura olfativa convencional — o revestimento nasal dos mamíferos ou, no caso das mariposas, receptores nas antenas.
Algumas pessoas apresentam uma fosseta vomeronasal, mas, desde o nascimento, ela não possui células nervosas conectadas ao cérebro, tampouco um bulbo olfatório acessório para processar qualquer sinal. Para agravar a questão, nenhuma substância química já identificada em humanos atende aos critérios necessários para ser classificada como feromônio.
O suor poderia funcionar como feromônio?
Se o sinal químico não existe e a estrutura para captá-lo também não, seria o suor uma alternativa? A ciência indica que não. O suor fresco é praticamente inodoro. Compõe-se de 99% de água, eletrólitos (sais) e pequenas quantidades de ureia, amônia e outros compostos.
Quem fica suado e evita se lavar acaba criando um ambiente favorável para a proliferação de bactérias, o que gera mau cheiro. É pouco provável que esse odor seja considerado agradável. Claro, determinados cheiros podem ser percebidos como atraentes por algumas pessoas, mas isso geralmente se deve a associações positivas — como a atração prévia por alguém ou uma conexão romântica já existente.
O famoso estudo das camisetas: o que realmente mostrou?
Um experimento de 1995, amplamente citado em comunidades de psicologia popular e por entusiastas do tema, pediu que estudantes do sexo masculino vestissem a mesma camiseta por duas noites consecutivas sem usar sabonete, desodorante ou qualquer produto perfumado. Em seguida, alunas cheiraram e avaliaram seis camisetas cada uma.
Ambos os grupos forneceram amostras para testes genéticos. Cada mulher recebeu três camisas usadas por homens cujos genes do complexo principal de histocompatibilidade (MHC) — responsáveis pelo reconhecimento de invasores pelo sistema imunológico — eram semelhantes aos seus, e três camisas de homens com genes MHC diferentes.
O resultado principal apontou que as mulheres preferiam o cheiro de camisetas usadas por homens com genes MHC diferentes dos seus. Porém, entre aquelas que tomavam pílula anticoncepcional, a preferência se invertia: avaliaram como mais agradável o cheiro de homens com genes semelhantes.
A interpretação e seus limites
A leitura feita à época era de que as mulheres conseguiam identificar homens com “sistema imunológico compatível”. A lógica sugere que pessoas com maior diversidade nos genes MHC dispõem de mais recursos para combater infecções. Assim, sentir-se atraída por parceiros geneticamente distintos geraria filhos com sistemas imunológicos mais robustos.
A hipótese não era descabida. Em diversas espécies de vertebrados, o olfato influencia a escolha de parceiros, e o MHC desempenha papel relevante nesse processo.
Entretanto, o estudo não resistiu ao escrutínio científico
Apesar da repercussão popular, os resultados do experimento das camisetas não se sustentaram com robustez. Uma meta-análise publicada em 2020, reunindo todos os estudos que avaliaram os efeitos da relação MHC-odor em humanos, não encontrou efeito geral significativo.
Além disso, a revisão detectou evidências de viés de publicação — fenômeno que ocorre quando pesquisadores se mostram mais inclinados a publicar resultados positivos e quando periódicos científicos privilegiam histórias chamativas em detrimento de achados negativos ou nulos.
A recomendação da ciência: higiene continua sendo o melhor caminho
Diante de todo o panorama, os especialistas são categóricos. “Sugerimos que tomar banho com sabonete e usar desodorante ainda é a melhor maneira de maximizar a atração olfativa.”
*Samuel Cornell é Pesquisador Associado em Saúde Pública na Universidade de Queensland. Rob Brooks é Professor de Evolução na UNSW.
*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.