A preocupação é que, mantido o atual ritmo de crescimento, o BPC poderá superar o Bolsa Família em volume de gastos, ameaçando a sustentabilidade fiscal do governo Lula.
Projeto do governo foi desidratado no Congresso
Em dezembro de 2024, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei com objetivo de limitar a expansão dos gastos do BPC. A proposta original enviada pelo governo previa crériterios de elegibilidade mais rigorosos, estimando uma economia de R$ 12 bilhões até 2030. No entanto, o texto foi alterado durante a tramitação:
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Entrar no grupo Comparativo entre proposta original e texto final:
- Proposta original: previa a inclusão de cônjuges e irmãos casados que morassem em outros locais no cômputo da renda familiar.
- Texto aprovado: considerou apenas moradores da mesma residência e irmãos solteiros.
- Adicionalmente: excluiu os valores recebidos de outro BPC do cálculo de renda familiar.
Essas modificações, segundo o Ministério da Fazenda, comprometeram o controle sobre a concessão do benefício.
Crescimento acelerado do BPC pressiona orçamento
O Tesouro destacou que não é viável uma despesa obrigatória crescer em ritmo de dois dígitos ao ano, como ocorre com o BPC. Como despesa obrigatória, não pode ser reduzida sem nova legislação. Isso compromete a capacidade do governo de cumprir o arcabouço fiscal.
Pente-fino tenta conter fraudes e concessões irregulares
A equipe econômica intensificou a revisão de cadastros para identificar fraudes e irregularidades. Somente no primeiro bimestre de 2025, 33.966 cadastros foram cancelados. A previsão é atingir cerca de 482 mil cancelamentos até o fim do ano.
Apesar do esforço, o próprio governo reconhece que as medidas ainda são insuficientes. Uma das dificuldades são as decisões judiciais liminares, que têm elevado o número de concessões.
Governo critica concessões sem dados mínimos
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, criticou o fato de muitos benefícios serem concedidos sem informações essenciais. Em novembro de 2024, ele revelou:
“Se o programa é para deficientes, você precisa saber qual é a deficiência da pessoa.”
Segundo ele, cerca de 1 milhão dos 3 milhões de beneficiários não têm sequer o código de deficiência informado nos cadastros.