Tesouro barra empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios e exige nova negociação
Tesouro barra empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios por juros acima do limite e força renegociação.
Por ContraFatos 02/12/2025 Atualizado em 02/12/2025
Divulgação
Governo considera juros pedidos pelos bancos “excessivos” e impede avanço do financiamento
O Tesouro Nacional decidiu, nesta terça-feira, 2, que não dará aval ao empréstimo de R$ 20 bilhões solicitado pelos Correios caso seja mantida a taxa de juros proposta pelos bancos — 136% do CDI. O órgão recusou as condições apresentadas e forçou uma nova rodada de negociações.
O Comitê de Garantias do Tesouro estabelece como referência um teto de 120% do CDI, limite aplicado em operações de crédito para Estados e municípios. Com a Selic a 15%, esse parâmetro produz uma taxa próxima a 18% ao ano. Já a taxa defendida pelo consórcio formado por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra elevaria o custo para 20,4% ao ano.
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Para o Tesouro, o percentual pedido é considerado desproporcional, especialmente por se tratar de financiamento com garantia da União.
Correios enfrentam prejuízo bilionário
A direção dos Correios trata o empréstimo como peça central para enfrentar a situação considerada crítica dentro da estatal. Entre janeiro e setembro, a empresa acumulou R$ 6,05 bilhões de prejuízo e calcula que pode encerrar 2025 com perdas próximas de R$ 10 bilhões.
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O plano de reestruturação elaborado pela companhia prevê:
pagamento de fornecedores atrasados;
quitação de dívidas;
um novo programa de desligamento voluntário;
investimentos para recuperar participação no mercado de encomendas.
A crise levou à saída de Fabiano Silva da presidência dos Correios, em julho. Ele atribuiu parte das dificuldades à chamada “taxa das blusinhas”, aplicada em compras internacionais de até US$ 50.
Nova gestão tenta reorganizar empresa
O atual presidente, Emmanoel Schmidt Rondon, assumiu em setembro. Funcionário de carreira do Banco do Brasil, ele está concentrado em reorganizar as finanças antes de ampliar o quadro de servidores aprovado em concurso. A liberação do empréstimo é vista internamente como decisiva para estabilizar o fluxo de caixa da estatal.
Com a recusa do Tesouro, os bancos terão de rever as condições se quiserem avançar com a operação.