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Testemunha afirma que Careca do INSS usava nome de Lulinha para intermediar negócios

Ex-funcionário relata que lobista citava “filho do rapaz” e fazia gesto com quatro dedos

Um ex-funcionário de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do , afirmou que o lobista recorria ao nome de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, para negociar com parceiros e fornecedores. O relato foi divulgado pelo portal Metrópoles nesta terça-feira, 3, e integra depoimentos colhidos no curso das investigações.

De acordo com a testemunha, Careca se referia ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de forma indireta, usando a expressão “o filho do rapaz”. Sempre que mencionava Lulinha, o lobista também fazia um gesto com quatro dedos da mão, em alusão ao nome do investigado.

Relato detalha forma de comunicação usada pelo lobista

Segundo o ex-funcionário, o assunto era tratado com naturalidade nas conversas. “Antonio falava abertamente sobre o ‘filho do rapaz’”, disse em entrevista ao Metrópoles. “Falava ‘filho’ e sinalizava mostrando a mão com quatro dedos. Falou o nome de Fábio Lula diversas vezes: a mim, a alguns parceiros comerciais e em reunião de diretoria.”

Além do depoimento verbal, a testemunha encaminhou todas as respostas também por escrito. Em um dos trechos, afirmou que Careca dizia pagar uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha. O valor, segundo o relato, estaria relacionado ao Projeto Amazônia e ao Projeto Teste de Dengue.

Pagamentos e encontros citados no depoimento

O ex-funcionário declarou ainda que o lobista teria antecipado 25 milhões ao filho do presidente, embora não tenha especificado a moeda. Conforme o depoimento, Careca e Lulinha teriam se encontrado em diversas ocasiões, tanto em quanto no Distrito Federal.

Essas informações foram incluídas no material analisado pelas autoridades e ampliam o escopo das apurações sobre a atuação do lobista em negócios ligados ao setor público e privado.

PF apura possível sociedade oculta

A investiga se Lulinha atuava como sócio oculto de Careca do INSS em empreendimentos relacionados à área da saúde. Entre os projetos sob análise está uma iniciativa voltada ao fornecimento de cannabis ao Ministério da Saúde.

Mensagens obtidas pela corporação indicam que Careca transferiu R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha e integrante do núcleo político do suposto esquema. Em uma das conversas interceptadas, o lobista escreveu que o valor seria destinado “ao filho do rapaz”.

Novos elementos reforçam investigação

Mesmo após o avanço das apurações, Luchsinger manteve contato com Careca. Segundo a PF, ela chegou a alertá-lo sobre a apreensão de um envelope que conteria “o nome do nosso amigo”.

Outro episódio investigado envolve o envio de um “medicamento” ao apartamento de Lulinha, em São Paulo, em dezembro de 2024. A entrega foi registrada em nome de Renata Moreira, esposa de Lulinha. Na ocasião, ele negou qualquer proximidade com Careca e afirmou desconhecer os fatos.

As investigações também apontam que Luchsinger atuou ao lado do lobista dentro do Ministério da Saúde. Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que Careca esteve cinco vezes no ministério. Três dessas visitas ocorreram em 2024, quando ele se apresentou como diretor de uma empresa de telemedicina, sendo acompanhado por Luchsinger em uma delas.

Em 2025, o empresário retornou ao órgão já como presidente da Cannabis, empresa do setor de maconha medicinal. A parceria foi citada pela Polícia Federal ao solicitar medidas contra Luchsinger no curso do inquérito.

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