Acareação foi decisão direta de Toffoli
A iniciativa de promover a acareação partiu exclusivamente do próprio ministro, sem requerimento da Polícia Federal. Toffoli também determinou o sigilo do processo, concentrando toda a documentação no STF. A intenção, segundo interlocutores, é imprimir maior velocidade às apurações sobre o caso.
O foco da investigação é uma suposta fraude contábil que, de acordo com o Banco Central, teria provocado um rombo de R$ 12 bilhões em créditos fictícios registrados no balanço do Banco Master. A instituição, que acabou liquidada, contesta esse valor e nega irregularidades.
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Entrar no grupo Liquidação do banco e operação frustrada com o BRB
Toffoli busca esclarecer quais providências foram adotadas pelas autoridades e pelos gestores que culminaram na liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Antes desse desfecho, o BRB havia anunciado, em 28 de março, a intenção de adquirir o Master, operação apresentada como estratégica para o fortalecimento do sistema financeiro e da própria instituição estatal.
O negócio, no entanto, foi vetado pelo Banco Central em 3 de setembro de 2025. Pouco mais de dois meses depois, o Master foi liquidado. No mesmo dia, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e outros executivos durante a Operação Compliance Zero. Toffoli já identificou, ainda, que alertas sobre inconsistências nos ativos do banco teriam sido feitos ao Banco Central mais de um ano antes da intervenção.
Falhas regulatórias entram no radar
Além de apurar responsabilidades individuais, o ministro pretende avaliar possíveis falhas ou atrasos no sistema de regulação financeira, com o objetivo de discutir mudanças estruturais que reforcem a segurança do setor bancário nacional.
O tema dialoga com a própria trajetória de Toffoli. Em 1996, quando atuava como advogado do PT na Câmara dos Deputados, ele participou de uma ação judicial que impediu o uso de recursos públicos para a criação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Suspeita de créditos falsos e versões conflitantes
As investigações apontam para um possível esquema de geração de créditos inexistentes, utilizado para inflar artificialmente os ativos do Banco Master. A instituição, por sua vez, nega qualquer prática irregular. A acareação marcada para o dia 30 pretende justamente confrontar as versões apresentadas, especialmente entre Vorcaro e o diretor do Banco Central.
Perfil de Ailton Aquino e reuniões anteriores
Ailton de Aquino Santos foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023 para a diretoria do Banco Central. Sua nomeação foi aprovada pelo Senado por 42 votos a 10. Aos 48 anos, tornou-se o primeiro homem negro a ocupar esse cargo na autoridade monetária.
Em 17 de novembro de 2025, um dia antes da liquidação do Master, Aquino participou de uma videoconferência com Daniel Vorcaro. O encontro contou ainda com dois chefes do Departamento de Supervisão Bancária e tratou exclusivamente da situação da instituição, no contexto do anúncio da venda do banco para a Fictor Holding Financeira.
Prisão, viagem ao exterior e decisão judicial
Na manhã seguinte, em 18 de novembro, Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Um ofício produzido pelo Banco Central relatando a videoconferência foi posteriormente utilizado pela defesa do banqueiro para sustentar que ele havia informado previamente sua viagem ao exterior, afastando a suspeita de tentativa de fuga.
O argumento foi acolhido pela desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, que concedeu liberdade a Vorcaro. Como medidas cautelares, foram impostas o uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições. O documento do Banco Central acabou sendo decisivo para derrubar a tese de prisão preventiva por risco de evasão.As informações são da Revista Oeste.