Convicção nos bastidores
A interlocutores, Toffoli afirmou estar convencido de que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, agiu em nome de Lula ao enviar o material ao Supremo. Nos bastidores da Corte, o ministro avalia que Rodrigues não teria tomado a iniciativa sem autorização do presidente da República.
A suspeita ganhou força após um encontro ocorrido horas antes de Lula deixar a relatoria do caso Master, decisão tomada sob pressão de colegas do STF. Na ocasião, o presidente se reuniu com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e cobrou uma apuração rigorosa das fraudes atribuídas ao banco.
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Entrar no grupo Como chefe da Procuradoria-Geral da República, Gonet tem prerrogativa para apresentar pedido de suspeição contra ministro do Supremo — possibilidade que, segundo relatos, ampliou a desconfiança de Toffoli sobre uma eventual articulação política.
Ressentimento ligado à Lava Jato
O ministro também associa o episódio a um episódio ocorrido em 2019, durante a Operação Lava Jato, quando presidia o STF. Naquele período, Lula estava preso em Curitiba e solicitou autorização para comparecer ao enterro do irmão, Vavá.
O pedido chegou ao Supremo durante o recesso, sob responsabilidade de Toffoli. A autorização foi concedida minutos antes do horário do sepultamento, com a condição de que o encontro com familiares ocorresse em um quartel militar. Diante das exigências, Lula decidiu não viajar.
Aliados do então ex-presidente criticaram a condução do caso pelo ministro. Um mês depois, Lula foi autorizado pela Justiça Federal do Paraná a participar do enterro do neto, Arthur, sem necessidade de nova análise do STF.
Outro fator considerado sensível foi a aproximação de Toffoli com o então presidente Jair Bolsonaro. Em 2018, às vésperas do primeiro turno das eleições, o ministro passou a se referir ao golpe que depôs João Goulart como “movimento de 1964”. Durante o mandato de Bolsonaro, houve demonstrações públicas de cordialidade entre ambos.
Reaproximação recente
Após a vitória de Lula nas eleições e sua posse em 2023, Toffoli adotou decisões consideradas favoráveis ao presidente, como a anulação das provas do acordo de leniência da Odebrecht. Na ocasião, classificou a Lava Jato como “pau de arara do século 21”.
A reconciliação entre Lula e Toffoli teria se consolidado no fim de 2024. Em dezembro de 2025, o presidente recebeu o ministro para um almoço na Granja do Torto, com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. De acordo com relatos, o encontro incluiu discussões sobre o caso Master, e Lula teria afirmado que a investigação poderia “reescrever sua biografia”.