“A Venezuela está completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul”, afirmou Trump em publicação em sua rede social. “Só vai aumentar, e o choque para eles será algo que nunca viram antes — até que devolvam aos Estados Unidos da América todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram.”
Reação militar e críticas internas a Trump
Após o anúncio, o Pentágono evitou comentar detalhes da operação e orientou que questionamentos fossem direcionados diretamente à Casa Branca. O reforço militar norte-americano na região ocorre em paralelo a uma série de ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico, que, segundo autoridades dos EUA, fazem parte de ações de combate ao tráfico internacional de drogas.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Essas operações, no entanto, têm sido alvo de críticas inclusive dentro dos Estados Unidos. Parlamentares de diferentes partidos questionam a extensão das ações militares, que já resultaram em 95 mortes em 25 ataques reconhecidos contra barcos.
Apesar das críticas, a administração Trump classificou a ofensiva como bem-sucedida, alegando que conseguiu impedir a entrada de grandes volumes de entorpecentes no território norte-americano. O governo rejeitou acusações de extrapolação dos limites da guerra legítima.
Do outro lado, Nicolás Maduro sustenta que a verdadeira motivação da ofensiva não é o combate ao crime, mas sim a tentativa de derrubá-lo para controlar as reservas de petróleo da Venezuela.
A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, declarou à revista Vanity Fair que o presidente “quer continuar afundando navios até que Maduro se renda”.
Impactos econômicos para a Venezuela
O bloqueio anunciado nesta terça-feira representa um golpe direto sobre a economia venezuelana, altamente dependente do setor petrolífero. O país possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e atualmente produz cerca de 1 milhão de barris por dia.
Desde 2017, com o endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, o governo Maduro passou a recorrer a petroleiros sem bandeira para escoar clandestinamente sua produção no mercado internacional.
A estatal PDVSA encontra-se praticamente isolada dos mercados globais, o que levou a Venezuela a vender grande parte do petróleo com descontos significativos, sobretudo no mercado clandestino chinês. Com o novo bloqueio, especialistas avaliam que a capacidade do país de manter essas operações será ainda mais limitada.
A escalada promovida por Trump reforça o cerco diplomático, militar e econômico contra Caracas e pode gerar novos desdobramentos regionais, tanto no campo energético quanto na segurança internacional.