“Sempre gostei dele. Me sinto muito mal pelo que aconteceu com ele. Sempre achei que ele era um cara honesto, mas ele já passou por muita coisa”, disse Trump ao comentar a situação de Bolsonaro.
A declaração provocou reação discreta na comitiva brasileira, mas não interrompeu o diálogo entre os dois presidentes.
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EUA querem estreitar laços e reduzir influência da China no Brasil
Além do episódio envolvendo Bolsonaro, Trump e Lula discutiram relações comerciais, cooperação militar e investimentos bilaterais. O líder americano expressou interesse em fortalecer laços econômicos com o Brasil, citando a China como “adversária estratégica” no comércio internacional.
“Acreditamos que, a longo prazo, é benéfico para o Brasil nos tornar seu parceiro comercial preferencial em vez da China — por causa da geografia, da cultura e de um alinhamento em muitos aspectos”, afirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que acompanhou o encontro.
Segundo Rubio, Washington pretende reposicionar o Brasil como aliado prioritário no continente americano, ampliando acordos de infraestrutura, defesa e tecnologia.
Preocupações com o cenário institucional brasileiro
Assessores de Trump têm manifestado preocupação com o ambiente político no Brasil, especialmente após episódios de prisões, bloqueios de contas e censura digital envolvendo críticos do governo.
Rubio mencionou o tema durante a conversa bilateral, afirmando que o governo americano acompanha de perto a atuação do Judiciário brasileiro, em especial nas decisões que afetam empresas e plataformas digitais sediadas nos EUA.
“Temos alguns problemas com o Brasil, particularmente com o modo como têm tratado alguns de seus juízes e o setor digital americano, mas o presidente vai explorar maneiras de superar tudo isso, porque achamos que será benéfico fazê-lo”, completou Rubio.
Primeiro contato direto entre Lula e Trump desde a ONU
Esta foi a primeira conversa presencial entre Lula e Trump desde o rápido encontro em setembro, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Na ocasião, os dois trocaram cumprimentos breves e mantiveram um tom cordial.
Dias depois, tiveram uma conversa telefônica, quando Lula solicitou a revisão da sobretaxa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros, especialmente do setor siderúrgico.