Casa Branca vê negócio como vantagem política aos democratas
Fontes próximas à Casa Branca relataram que Trump interpreta a possível compra como um movimento que beneficiaria seus adversários políticos. Por esse motivo, o republicano estaria empenhado em favorecer outro interessado na Warner: o empresário Larry Ellison, aliado pessoal do presidente.
Ellison foi um dos financiadores da fusão entre a Paramount e a Skydance Media, anunciada em agosto do ano passado. A Paramount também apresentou uma proposta para adquirir a Warner e, segundo o jornal, conta com simpatia dentro do governo norte-americano.
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Entrar no grupo Histórico de atritos entre Trump e a Netflix
O embate entre Trump e a Netflix não é recente. Ainda durante seu primeiro mandato, em 2018, o então presidente solicitou uma investigação financeira envolvendo o contrato da produtora Higher Ground, pertencente a Barack Obama e Michelle Obama.
Na época, a Higher Ground mantinha um acordo de exclusividade com a Netflix. Embora esse vínculo exclusivo não exista mais, a associação entre a plataforma e figuras centrais do Partido Democrata segue sendo motivo de incômodo para Trump.
Relações pessoais deterioradas e atuação direta do governo
A tensão política ganhou novos contornos recentemente com o distanciamento pessoal entre as famílias. Michelle Obama não compareceu à segunda posse de Trump, realizada em janeiro, gesto interpretado por aliados do presidente como um agravamento da rivalidade entre os dois grupos.
Segundo interlocutores do governo, Trump já sinalizou que pretende acompanhar de perto a análise regulatória do negócio, deixando claro que a Casa Branca terá papel ativo na forma como a transação será avaliada pelos órgãos competentes.
Conteúdo “progressista” e laços democratas pesam contra a plataforma
Outro fator citado como determinante é o perfil editorial da Netflix. Setores conservadores acusam a empresa de priorizar pautas “progressistas” em suas produções originais e de manter relações profundas com o Partido Democrata.
Um dos exemplos mencionados é a ligação da cúpula da empresa com o governo Obama. A companheira do CEO Ted Sarandos, Nicole Avant, atuou como embaixadora dos Estados Unidos nas Bahamas durante a administração democrata.
Impacto em Hollywood e disputa por poder cultural
Caso Trump consiga interferir no desfecho da negociação, a Paramount, sob influência de Larry Ellison, passaria a ter vantagem na consolidação de um novo conglomerado de mídia. A movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla do presidente para reduzir o que ele considera ser a influência cultural de seus adversários políticos em Hollywood.
A possível intervenção presidencial transforma a venda da Warner em um episódio que ultrapassa o campo econômico e reforça a disputa ideológica pelo controle da indústria do entretenimento nos Estados Unidos.