Negociações envolveram também o Progressistas
As tratativas ganharam impulso quando Flávio procurou diretamente Rueda e o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PI), para negociar o apoio das duas siglas em caso de segundo turno. Como PP e União Brasil integram a Federação União Progressista, qualquer posicionamento precisa ser anunciado de forma conjunta.
A federação não apresentou candidato próprio à Presidência no primeiro turno. Em agosto, uma convenção do União havia aprovado a neutralidade, liberando seus integrantes para apoiar, nos respectivos Estados, o presidenciável que melhor se encaixasse nas alianças regionais. Na ocasião, Rueda justificou que havia posições divergentes dentro da legenda e que a decisão expressava a vontade da maioria.
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Entrar no grupo Acenos ao candidato do PL já vinham de meses atrás
Apesar da postura oficialmente neutra, o próprio presidente do União já sinalizava uma inclinação em direção a Flávio Bolsonaro. Em abril, Rueda declarou que a tendência era apoiar o senador, desde que ele apresentasse uma candidatura voltada ao centro. Após a decisão pela neutralidade, em agosto, reafirmou que poderia compartilhar o palanque com Flávio no Rio de Janeiro e revelou manter contato frequente com o candidato do PL.
Parte do partido, inclusive, já atuava em favor de Flávio durante o primeiro turno. Em São Paulo, os diretórios estaduais do PP e do União haviam oficializado apoio ao senador ainda em julho, antes mesmo da definição nacional pela neutralidade.
Força eleitoral da federação em números
Quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o registro da Federação União Progressista, em março, as duas legendas somavam:
- 109 deputados federais
- 15 senadores
Nas eleições municipais anteriores, PP e União elegeram juntos 1.335 prefeitos e 12.398 vereadores — um capital político expressivo que agora pode ser direcionado à campanha de Flávio.
Prefeitos ganham protagonismo na reta final
A participação dos prefeitos é considerada especialmente estratégica pelas cúpulas partidárias nesta fase decisiva das eleições. As administrações municipais adquiriram peso crescente na estratégia eleitoral do centrão, principalmente em razão da relação construída entre prefeitos e parlamentares por meio da destinação de emendas.
PP também caminha para apoiar Flávio
Desde 19 de setembro, dirigentes do centrão já debatiam a possibilidade de aderir ao candidato do PL no segundo turno. PP e União figuravam entre as legendas mais inclinadas a apoiar o chamado Zero Um.
O acordo costurado entre os partidos não se restringe à eleição presidencial. As negociações também abrangem a disputa pela presidência do Senado em 2027. Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente da Casa, pretende permanecer no cargo. O União Brasil trabalha para preservar o comando do político amapaense, enquanto setores do PL almejam que a próxima presidência do Senado seja ocupada por um nome da legenda.