Desse universo de notificações, 42 pacientes exibiram sinais de alarme — dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. A proporção é de 0,008% do total de vacinados. Embora considerados muito raros, esses episódios não estavam previstos nos estudos clínicos da vacina nem constavam em sua bula.
Coletiva detalhou os números e a decisão
Em entrevista coletiva realizada às 14h41 (horário de Brasília), representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Butantan e do Ministério da Saúde explicaram os dados do monitoramento e justificaram a medida. Três dos 42 casos foram classificados como graves: dois resultaram em óbito e um terceiro — uma mulher de 39 anos — exigiu internação em UTI, mas a paciente se recuperou.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Ministro Alexandre Padilha fala sobre a investigação
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que ainda não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação direta entre a vacina e os óbitos, mas reconheceu que o cenário gerou um alerta sanitário importante.
“Nós tivemos 3 casos graves, desses 2 óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, não existe dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses 3 casos graves, mas é um sinal de alerta”, disse Padilha.
Quem são as vítimas: perfil dos três casos graves
Paciente 1 — Recuperada
Mulher de 39 anos que, seis dias depois de receber a vacina, apresentou febre, dores musculares e náuseas. O quadro evoluiu para dengue grave com choque, demandando internação em UTI. Ela conseguiu se recuperar.
Paciente 2 — Óbito
Mulher de 48 anos. Os sintomas de dengue grave surgiram 19 dias após a vacinação. Houve comprometimento neurológico, com diagnóstico de meningoencefalite. A paciente não sobreviveu.
Paciente 3 — Óbito
Homem de 58 anos. Cinco dias depois de ser vacinado, desenvolveu febre e progrediu rapidamente para dengue grave com choque refratário. Também não resistiu.
Primeira vacina de dose única desenvolvida inteiramente no Brasil
A vacina do Butantan carrega marcos históricos: é a primeira do mundo aplicada em dose única contra a dengue e a primeira totalmente desenvolvida em território brasileiro. Seu estudo clínico envolveu 16 mil pessoas. Contudo, os efeitos graves agora registrados no acompanhamento pós-vacinação não haviam aparecido durante a pesquisa original.
O Ministério da Saúde determinou que estados e municípios interrompam imediatamente a aplicação do imunizante até que uma segunda análise detalhada seja concluída.
Orientações para quem já foi vacinado
Quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias deve ficar atento a qualquer alteração no organismo e procurar uma unidade de saúde caso manifeste algum dos seguintes sintomas:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência intensa;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
O acompanhamento médico é considerado essencial para a identificação precoce de eventuais reações adversas e para garantir o tratamento adequado a cada caso.