“Vai ter criança, sim”: Parada LGBT desafia Câmara e promete manter menores na Paulista
Presidente da Parada LGBT de São Paulo rejeita projeto que proíbe crianças na Avenida Paulista e promete manter menores no evento
Por ContraFatos 27/05/2026 Atualizado em 27/05/2026
Bandeira em parada LGBT que diz 'crianças trans existem' | Foto: Agência Brasil
Presidente da associação desafia Câmara Municipal e garante participação de menores de idade no evento de 7 de junho
A Parada LGBT de São Paulo, que completa 30 anos de existência em 2026, tornou-se palco de um embate político entre ativistas e a Câmara Municipal. Em entrevista coletiva realizada na terça-feira, 26, o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Nelson Matias, declarou que a organização não pretende acatar a restrição à presença de crianças e adolescentes durante o desfile na Avenida Paulista.
O que prevê o projeto de lei aprovado em primeira votação
A reação dos organizadores veio após a Câmara Municipal de São Paulo aprovar, em primeira votação, um projeto de lei de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil). A proposta determina que eventos com temática homossexual e transexual sejam realizados exclusivamente em ambientes fechados, com classificação indicativa para maiores de 18 anos. Promotores que descumprirem a norma poderão ser multados em até R$ 1 milhão.
Leitura
Para se tornar lei, o texto ainda precisa ser submetido a um segundo escrutínio no plenário da Casa antes de seguir para o gabinete do prefeito.
Lema político e atrações confirmadas para o evento
Marcada para o dia 7 de junho, a partir das 10h, a edição deste ano da Parada LGBT+ adotou o lema “A rua convoca, a urna confirma”, evidenciando a intenção de politizar a manifestação. Segundo Nelson Matias, o movimento deve resistir à ação dos parlamentares paulistanos.
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A organização já confirmou shows de artistas como Gloria Groove, Melody, Pepita e do ator Diego Martins nos trios elétricos que percorrerão a avenida.
Ricardo Nunes diz desconhecer o projeto e ironiza vereador
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que não tinha conhecimento da tramitação do projeto de lei no Legislativo municipal. A declaração foi dada durante uma agenda pública ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O emedebista minimizou a urgência do tema e não se comprometeu a vetar ou sancionar a medida, caso o texto chegue à sua mesa. Nunes ainda ironizou a postura do autor da proposta, afirmando que Rubinho Nunes tem o hábito de apresentar projetos polêmicos apenas para obter visibilidade na imprensa. O prefeito considerou improvável que a proibição avance nas comissões internas da Câmara.