Reajustes que não acompanham a realidade inflacionária
A raiz do problema está no abismo entre a evolução do custo da alimentação e o reajuste oferecido pelos empregadores. Enquanto o valor médio de uma refeição avançou 4,3%, atingindo R$ 44,69, o crédito das empresas subiu míseros 1,5%. Esse descompasso escancara uma realidade que o governo Lula parece ignorar: a inflação dos alimentos e refeições fora do lar está corroendo sistematicamente o poder de compra do trabalhador, sem que haja políticas eficazes para conter essa escalada.
Uma deterioração que vem de anos — e só piora
A perda de cobertura do vale-refeição não é novidade, mas a velocidade com que o benefício encolhe é alarmante. Em 2019, o saldo durava em média 18 dias úteis. Em 2022, caiu para 13 dias. No ano seguinte, passou a 11. Em 2024 e 2025, foram dez dias. Agora, apenas nove. Em sete anos, o trabalhador perdeu metade da cobertura do benefício — uma trajetória que deveria acender todos os alertas nas esferas econômicas do governo, mas que parece não gerar nenhuma resposta concreta.
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Entrar no grupo Disparidades regionais agravam a crise
A situação se torna ainda mais dramática em estados do Norte e Nordeste. Em Roraima, o vale-refeição cobre apenas seis dias úteis. No Maranhão, sete. Na outra ponta, Minas Gerais aparece com 13 dias de cobertura, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo registram 12 dias — números melhores, mas ainda muito distantes do ideal.
Aplicativos de delivery pesam ainda mais no bolso
O levantamento da Pluxee também evidencia que pedir comida por aplicativos de delivery acelera o esgotamento do saldo. O gasto médio por transação nessas plataformas é de R$ 58,61, enquanto em restaurantes e lanchonetes presenciais o valor cai para R$ 43,44. Uma diferença de mais de 34% que torna o hábito de pedir por apps um verdadeiro dreno no benefício.
A Pluxee não divulgou o tamanho da amostra utilizada no levantamento, mas os números falam por si: o vale-refeição está se tornando insuficiente para garantir a alimentação digna do trabalhador brasileiro ao longo do mês, e a inflação persistente nos itens básicos segue sendo o grande vilão de um poder de compra cada vez mais achatado.