Salles faz questão de se apresentar como alguém politicamente distante do PT antes de tecer os elogios. “Obviamente eu não sou do PT, fiz uma campanha contra o PT, confessadamente contra, então me sinto isento para dizer, acho que ela está se saindo muito bem”, afirmou.
Defesa da separação entre “sérios” e “não sérios”
Na sequência, Salles desenvolve um raciocínio sobre o cenário político brasileiro que envolve uma distinção que, segundo ele, deveria preceder qualquer debate ideológico. “Acho que a nossa dificuldade, o nosso desafio, antes de mais nada de ser direita ou esquerda, que no Brasil nós chegamos no fundo do poço do ponto de vista moral e ético, que o primeiro crivo que nós temos que dar, o primeiro filtro, não é entre ser direita e esquerda, é tirar entre os sérios e os não sérios”, disse.
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Entrar no grupo Para ele, era necessário primeiro excluir da vida pública “as pessoas que não são sérias, os oportunistas, os patrimonialistas” para só depois dividir os restantes entre direita e esquerda.
Elogio à trajetória pessoal de Dilma
O trecho mais enfático da declaração de Ricardo Salles no vídeo trata da história pessoal de Dilma Rousseff. Ele reconheceu que a então presidente tinha um compromisso histórico com a seriedade na gestão pública, justamente por conta de sua biografia de resistência à ditadura militar.
“A presidente Dilma tem uma luta, inclusive, história dela, de ter pego em armas, etc, contra o governo e acho que ela, justamente por isso, passou por tudo isso, não pode ser para agora se curvar aos patrimonialistas. Acho que ela tem, historicamente, um dever de enfrentamento nesse sentido”, completou Salles.
Contexto: embate com Eduardo Bolsonaro impulsiona repercussão
A publicação do vídeo ganhou tração justamente por ter sido resgatada no momento em que Ricardo Salles e Eduardo Bolsonaro protagonizam um desgaste público. O contraste entre as declarações elogiosas a Dilma e o papel que Salles desempenhou posteriormente como ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro — além de sua atual atuação como assessor do vice-presidente Geraldo Alckmin — alimentou debates intensos nas redes sociais sobre coerência política e oportunismo.
Até o momento, Ricardo Salles não se manifestou publicamente sobre a repercussão do vídeo.