Vídeo: Festa com fuzis e palco gigante choca o Rio e expõe domínio do crime em Vigário Geral
Festa do TCP em Vigário Geral exibiu fuzis e megaestrutura de shows enquanto polícia investiga participação de traficante foragido com 20 mandados
Por ContraFatos 13/07/2026 Atualizado em 13/07/2026
Homens apontando fuzis para o alto chamam atenção nos vídeos da festa Foto: Reprodução/X
Celebração ostensiva do Terceiro Comando Puro revela até onde a criminalidade já avançou na Zona Norte do Rio de Janeiro
A criminalidade no Rio de Janeiro já não se esconde — ela celebra, faz festa e transmite tudo nas redes sociais. Imagens que circularam amplamente na internet mostram uma comemoração com ares de evento profissional realizada na comunidade de Vigário Geral, na Zona Norte da capital fluminense. No último sábado, 11, a facção Terceiro Comando Puro (TCP) teria promovido o que, segundo relatos nas redes sociais, seria uma celebração pelos 19 anos da tomada do Complexo de Israel pelo grupo criminoso.
Fuzis erguidos como troféus em plena luz das câmeras
Os vídeos que vazaram são um retrato perturbador do grau de domínio territorial exercido pelo tráfico. Homens empunham fuzis apontados para o alto, sem qualquer constrangimento, enquanto uma megaestrutura de palco, iluminação e som profissional embala a multidão. Em determinado momento, um dos MCs que comandavam o evento convoca o público a fazer o “três” — símbolo da facção TCP — e ainda pede que os presentes ergam os fuzis. A cena é complementada por apresentação de grupo de pagode e queima de fogos de artifício, como se fosse um festival legítimo e não uma demonstração descarada de poder do crime organizado.
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Polícia investiga participação de traficante foragido
A ousadia da celebração vai além do espetáculo armado. Conforme apuração da TV Globo, a Polícia Civil do Rio está investigando se o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, teria comparecido à festa. O criminoso é um dos mais procurados do estado: está foragido da Justiça e acumula nada menos que 20 mandados de prisão em aberto. As acusações contra ele incluem tráfico de drogas, homicídios, tortura, ocultação de cadáver, extorsão e porte ilegal de arma de fogo.
Resposta institucional soa genérica diante da audácia do crime
Enquanto fuzis são exibidos como adereços de festa e facções celebram aniversários de invasão territorial, a resposta oficial segue protocolar. Em nota, a Polícia Civil limitou-se a informar que “atua diariamente no enfrentamento às facções criminosas, por meio de investigações permanentes conduzidas por delegacias distritais e especializadas. O trabalho de inteligência é contínuo, silencioso e estratégico, direcionado à desarticulação das estruturas financeira, logística e operacional das organizações criminosas”.
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O contraste entre a ostentação bélica do TCP em Vigário Geral e a resposta institucional evidencia uma realidade incômoda: a criminalidade já tomou conta de territórios inteiros, age com desenvoltura, promove eventos de grande porte sob o olhar impotente — ou ausente — do Estado. A festa não foi um ato isolado; foi uma declaração pública de soberania do crime organizado sobre comunidades onde o poder público deveria estar presente.
Vídeos mostram integrantes do TCP durante um baile realizado na comunidade de Vigário Geral.
Segundo informações, o evento foi promovido por integrantes da facção em comemoração aos 19 anos de atuação do TCP na comunidade. pic.twitter.com/h0s4IwSaN2
— ℂ𝔸𝕆𝕊 ℕ𝕆 ℝ𝕀𝕆 𝔻𝔼 𝕁𝔸ℕ𝔼𝕀ℝ𝕆 (@CAOSNORJ021) July 12, 2026