Declaração ocorre durante julgamento de Bolsonaro no STF e reforça pressão sobre Moraes
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta terça-feira (9) que os Estados Unidos estão dispostos a usar tanto o poder econômico quanto o poder militar para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo.
Em entrevista coletiva, Leavitt usou o Brasil como exemplo de país que estaria praticando censura. A fala ocorre no mesmo dia em que a Primeira Turma do STF julga o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado.
Sanções e tarifas contra o Brasil
Segundo a porta-voz, as medidas já aplicadas ao Brasil ilustram a postura de Washington:
“As sanções impostas contra autoridades brasileiras e as tarifas de 50% sobre produtos oriundos do Brasil servem de exemplo para garantir que países ao redor do mundo não punam seus cidadãos dessa forma.”
Em julho, o governo Trump já havia revogado vistos de quase todos os ministros do STF, poupando apenas André Mendonça, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques.
No mesmo mês, aplicou a Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, impondo bloqueios financeiros e outras restrições.
Pressão internacional sobre Moraes
O posicionamento da Casa Branca vem acompanhado de declarações de aliados de Trump. Também nesta terça-feira, o conselheiro estratégico Jason Miller classificou Moraes como a “maior ameaça à democracia no Hemisfério Ocidental”.
Enquanto isso, no julgamento em Brasília, Moraes votou pela condenação de Bolsonaro e dos demais acusados, sendo acompanhado pelo ministro Flávio Dino.
.@PressSec: "Freedom of speech is arguably the most important issue of our time. It is enshrined in our Constitution and @POTUS believes in it strongly… we have take significant action with regards to Brazil in the form of both sanctions, and also leveraging the use of tariffs… pic.twitter.com/mkWz3eA7tR
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) September 9, 2025
Veja abaixo o vídeo e a tradução completa da declaração de Karoline Leavitt:
“A liberdade de expressão é, sem dúvida, a questão mais importante do nosso tempo. Ela está consagrada em nossa Constituição, e o Presidente acredita fortemente nela. Ele próprio afirma que a censura está no centro de sua jornada de volta a este belo Salão Oval aqui em Washington, D.C., por isso ele leva isso muito a sério, assim como, eu sei, a Vice-Presidente dos Estados Unidos e todo o governo Trump. É por isso que tomamos medidas significativas em relação ao Brasil, tanto na forma de sanções quanto também no uso de tarifas, para garantir que países ao redor do mundo não punam seus cidadãos dessa maneira.
Ao mesmo tempo, o Presidente, enquanto utiliza os Estados Unidos para proteger nossos interesses no exterior, também garante que a liberdade de expressão permaneça aqui, nos Estados Unidos da América. Portanto, não tenho nenhuma ação adicional para antecipar a vocês hoje, mas posso dizer que isso é uma prioridade para o governo, e o Presidente não tem medo de usar o poder econômico e o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”.