“Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente, os usuários. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”, disse.
“Tem gente que vende porque tem gente que compra. Tem gente que compra porque tem gente que vende. Então, é preciso que a gente tenha mais cuidado no combate à droga”, completou o presidente.
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Lula critica ofensiva militar dos EUA
O presidente fez as declarações em meio à escalada das operações militares norte-americanas no Caribe, comandadas por Trump, com o objetivo de barrar o envio de drogas da América Latina para os EUA.
Na quinta-feira (23), Trump declarou que considerava uma ofensiva terrestre na Venezuela, após ordenar bombardeios a embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico — ações que já deixaram 37 mortos.
Lula condenou a postura do americano:
“Você não fala que vai matar as pessoas. Você tem que prender as pessoas, julgar as pessoas, saber se a pessoa estava ou não traficando, e aí você pune as pessoas de acordo com a lei. É o mínimo que se espera de um chefe de Estado”, afirmou.
Encontro com Trump e defesa da cooperação internacional
Lula declarou que pretende conversar com Trump sobre o tema, caso o encontro previsto para domingo (26) na Malásia seja confirmado. Segundo ele, o combate ao narcotráfico deve ser feito em cooperação entre os países, e não de forma unilateral.
“É muito melhor os Estados Unidos se dispor a conversar com a polícia dos outros países, com o Ministério da Justiça de cada país, pra gente fazer uma coisa conjunta”, disse.
“Porque se a moda pega, cada um acha que pode invadir o território do outro para fazer o que quer. Onde vai ficar a respeitabilidade da soberania dos países?”, questionou.
Lula também mencionou que o Brasil está reforçando ações da Polícia Federal e políticas estaduais voltadas ao combate ao tráfico de drogas, armas e contrabando, destacando que o enfrentamento deve ocorrer “em harmonia com outras nações”.
Apoio de Petro e críticas conjuntas
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também criticou a estratégia militar dos EUA na região. Assim como Lula, ele defendeu que o combate ao narcotráfico não pode recair sobre os trabalhadores de base, que, segundo ele, “não são os verdadeiros narcotraficantes”.