Miriam Leitão tratou de explicar — como quem dá aula a leigos — que a inflação mede a variação dos preços, e não o patamar em que eles se encontram. Portanto, quando a inflação desacelera, os produtos continuam caros; apenas passam a subir em ritmo menor. Uma distinção técnica correta, mas que soa como consolo vazio para quem vai ao mercado com R$ 100 e volta de mãos quase vazias.
“Sensação” versus realidade do carrinho de compras
A própria comentarista reconheceu o descompasso entre os indicadores e a vida real dos consumidores ao reproduzir o sentimento popular:
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Entrar no grupo – A sensação que as pessoas têm conversando com as pessoas na rua é que, poxa, que notícia é essa? Que a inflação desacelera, mas eu vou com R$ 100 no supermercado, não consigo comprar quase nada, os preços estão super altos – disse ela.
Em seguida, tentou enquadrar a percepção do cidadão como algo descolado da realidade econômica:
– Olha, essa é uma coisa importante na economia, é que os números nem sempre coincidem com a sensação. Às vezes, você tem a sensação de preço alto, sensação de carestia, mesmo quando os índices estão mostrando queda – continuou a jornalista.
Produtos em queda e o argumento seletivo
Para reforçar sua tese, Miriam Leitão destacou que alguns itens específicos apresentaram recuo de preço nos supermercados. Batata, tomate e café estariam entre os alimentos que ficaram mais baratos. O grupo alimentação registrou queda de 0,67% em julho, e os combustíveis também tiveram redução.
– Se você foi ao supermercado recentemente, viu que batata caiu, tomate caiu, café caiu. Mas, em geral, está difícil de fazer todas as compras – declarou Miriam, tentando convencer o telespectador.
O detalhe irônico é que a própria comentarista admite a dificuldade generalizada, mas prefere se apegar a três itens pontuais para sustentar o argumento de que as coisas estão melhorando — um clássico exercício de otimismo seletivo.
Orçamento apertado tem outras causas, segundo a comentarista
Na avaliação de Miriam Leitão, o aperto no bolso dos brasileiros não se deve apenas aos preços altos. Dívidas acumuladas e despesas fixas reduzem o dinheiro disponível para as compras do dia a dia, mesmo quando alguns itens começam a apresentar recuo. Uma explicação que, convenientemente, distribui a culpa sem apontar diretamente para a política econômica do governo.
Promessa de alívio nos próximos meses
Apesar do cenário reconhecidamente difícil, a comentarista afirmou que julho e agosto podem trazer algum alívio aos consumidores. Segundo ela, a inflação de agosto pode ser ainda menor e até registrar uma taxa negativa — uma projeção que certamente agrada aos ouvidos do Planalto.
Para o brasileiro comum que vai ao supermercado e sente no bolso o peso dos preços, resta saber se essa tal “sensação” é mesmo apenas uma ilusão estatística ou a pura e dura realidade de quem precisa colocar comida na mesa.