Comentarista político detalha tensões, influência de Joesley Batista na articulação do encontro e afirma que presidente brasileiro saiu sem conquistas concretas
O comentarista político Paulo Figueiredo trouxe a público detalhes que, segundo ele, desmentem a narrativa oficial sobre a reunião entre Lula e Donald Trump na Casa Branca. De acordo com Figueiredo, o encontro não seguiu os trâmites diplomáticos convencionais e foi organizado diretamente pelo empresário Joesley Batista, sem passar pelos canais habituais do governo norte-americano.
“Eu disse exatamente quem tinha marcado esse encontro, Joesley Batista. Eu disse primeiro, e depois a Reuters e a Folha de São Paulo confirmaram, inclusive monitorando o avião dele chegando em Washington, D.C.”, afirmou Paulo Figueiredo.
Segundo o comentarista, a influência de Joesley Batista junto ao entorno de Trump é expressiva. “Isso mostra o tamanho da influência do Joesley, que doou dezenas de milhões de dólares pra campanha do Trump e pro filme da Melania”, declarou.
Marco Rubio foi propositalmente contornado, diz Figueiredo
Um dos pontos mais incomuns do episódio, conforme o relato de Figueiredo, é que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sequer foi avisado sobre a reunião. A data escolhida para o encontro coincidiu com a viagem de Rubio ao Vaticano para um encontro com o Papa, e a Casa Branca só confirmou oficialmente a agenda na véspera.
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“Nem Marco Rubio foi avisado. Aproveitaram justamente a data em que o secretário de Estado estaria no Vaticano encontrando com o Papa, e a Casa Branca só confirmou a reunião na véspera”, explicou Figueiredo.
De acordo com o comentarista, sem Rubio no caminho, Joesley teria prometido a Lula um encontro caloroso: “Sem o Rubio no caminho, o Joesley prometeu a Lula um encontro com o Trump com química, amor e disposição pra entregar tudo o que o Lula queria. Prometeu também uma coletiva de imprensa vitoriosa ao lado do homem mais poderoso do mundo.”
Recepção protocolar abaixo do esperado
Os sinais de que o encontro não teria o tom cordial prometido começaram antes mesmo da reunião, segundo Paulo Figueiredo. O presidente Lula não foi recebido pela porta principal da Casa Branca, e sim pela entrada de trabalho, sem a presença de imprensa. Além disso, não houve convite para hospedagem na Blair House, residência tradicionalmente reservada a líderes estrangeiros em visitas oficiais a presidentes americanos.
“O Lula foi recebido pela entrada de trabalho da Casa Branca, não na porta principal, sem imprensa. Também não foi convidado a se hospedar na Blair House, onde ficam os líderes estrangeiros em visitas importantes a presidentes americanos, como o Bolsonaro ou até o meu avô Figueiredo ficaram”, relatou o comentarista. “O Lula teve que ficar lá na Embaixada Brasileira, e o simbolismo começou ali.”
Horas de espera e coletiva cancelada
A imprensa convocada por Lula para a coletiva após a reunião enfrentou uma longa e constrangedora espera. Paulo Figueiredo narrou que a Casa Branca chegou a abrir uma transmissão ao vivo no YouTube, mas três horas se passaram sem que nada acontecesse. A coletiva conjunta foi sendo adiada repetidamente, e o clima relatado por jornalistas presentes era de estranheza diante de uma situação descrita como inédita.
“A imprensa, chamada por Lula pra coletiva, ficou esperando horas e horas. A Casa Branca abriu uma transmissão ao vivo no YouTube. Três horas se passaram. A coletiva foi sendo adiada. Todo mundo reportava um clima estranho, uma situação inédita”, disse Figueiredo.
O desfecho, ainda segundo o comentarista, foi constrangedor: “E, no fim, o Trump mandou o Lula embora sem coletiva, com vexame, com os repórteres sendo mandados embora.”
Pontos de tensão e pedidos negados
Conforme relatos de fontes com quem Paulo Figueiredo conversou, Lula não conseguiu obter nenhuma concessão concreta de Trump durante o encontro. “As pessoas com quem eu conversei disseram que o Lula não conseguiu nem uma concessão, só a promessa de mais reuniões”, afirmou.
O comentarista revelou que houve ao menos dois momentos de tensão na reunião, e que Trump não permaneceu o tempo todo presente. Entre os pleitos levados por Lula, Figueiredo citou a oferta de terras raras brasileiras, o pedido para que o PCC e o Comando Vermelho fossem poupados da designação de organizações terroristas, além da solicitação de reestabelecimento dos vistos de ministros do STF e de outras autoridades do governo Lula.
“O Lula acenou com terras raras brasileiras de novo, e pediu que o PCC e o Comando Vermelho fossem poupados da designação de terroristas. Também pediu que os vistos dos ministros do STF, de outras pessoas do governo Lula, fossem reestabelecidos. Não rolou”, detalhou Figueiredo.
Reação protocolar de Trump e silêncio da imprensa internacional
Após o término do encontro, Donald Trump publicou uma mensagem breve em suas redes sociais, com apenas um parágrafo, classificando a reunião como boa e chamando Lula de “dinâmico”. Em declarações a repórteres, fez elogios genéricos — algo que, segundo Figueiredo, o presidente americano costuma fazer com qualquer líder mundial que recebe.
“O Trump, no final, fez um tweet pequenininho, de um parágrafo, dizendo que a reunião foi boa e chamando o Lula de dinâmico, seja lá o que isso significar. Depois, respondendo a repórteres, fez aqueles elogios genéricos que ele faz a qualquer líder mundial que ele encontra”, observou o comentarista.
Sem a coletiva conjunta na Casa Branca, Lula precisou improvisar e convocar a imprensa às pressas para uma entrevista na Embaixada Brasileira. No dia seguinte, conforme apontou Figueiredo, nenhum grande jornal internacional deu relevância à visita.
“Lula saiu de mãos abanando, passou vexame”, concluiu Paulo Figueiredo, acrescentando que “o Lula e a mídia estão mentindo pra você de novo sobre o encontro dele com o Donald Trump”.
"Essa é a verdade da reunião entre Lula e Donald Trump." @pfigueiredo08 pic.twitter.com/cszkS14mUi
— Luli (@crisdemarchii) May 9, 2026
