Cordialidade institucional ou intimidade inconveniente?
A cena ocorreu durante a cerimônia de sanção de leis voltadas à proteção das mulheres — um contexto solene que, em tese, deveria concentrar as atenções nos avanços legislativos. No entanto, foi o cafezinho entre o chefe do Executivo e o magistrado mais polêmico do STF que roubou os holofotes. Para quem acompanha a política brasileira, a naturalidade do convite e a prontidão da aceitação dizem mais do que qualquer discurso protocolar.
Moraes participou do evento na condição de presidente em exercício do STF, o que torna a proximidade ainda mais delicada. Não se trata de dois velhos amigos num encontro casual, mas dos chefes temporários de dois dos Três Poderes da República conversando sobre um café nos bastidores do poder.
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Entrar no grupo O discurso oficial: pacto contra a violência à mulher
No plano formal, o evento tratou de pautas relevantes. Lula sancionou o PL que estabelece a cobrança automática da pensão alimentícia em caso de atraso, mecanismo que ficou conhecido como “Pix Pensão”.
Alexandre de Moraes, por sua vez, usou a tribuna para pedir maior engajamento dos estados no enfrentamento à violência contra a mulher. O ministro destacou a necessidade de cooperação federativa para que as políticas de proteção tenham alcance real.
“Se não houver um pacto, não só entre os Três Poderes da União, mas com os estados, a questão de proteção à mulher fica muito limitada. É muito importante que os Três Poderes, cada um dentro da sua competência, possam auxiliar, inclusive em nível estadual”, disse o ministro.
“Muito importante todos os projetos que vêm se juntar a essa defesa da mulher para uma diminuição de feminicídios, diminuição de agressão contra as mulheres. Isso é muito bem-vindo”, acrescentou Moraes.
Pacto Nacional contra o Feminicídio como pano de fundo
Vale lembrar que, em fevereiro, autoridades dos Três Poderes já haviam assinado o Pacto Nacional contra o Feminicídio, que prevê ações conjuntas para prevenir casos de violência no país. A cerimônia desta quarta-feira deu continuidade a essa agenda, mas a imagem que permanece é outra: a de um presidente e um ministro do Supremo que, sob os olhos das câmeras e ao alcance dos microfones, tratam-se com uma familiaridade que, no mínimo, incomoda quem defende a independência entre os Poderes.
Num país onde o STF frequentemente julga ações que envolvem diretamente o governo federal e seus aliados, cada cafezinho entre Lula e Moraes carrega um peso simbólico que vai muito além da xícara.