Gravações antigas retomam acusações de lobby, contratos milionários e suposto favorecimento ligados a Viviane Barci
Vídeos gravados em momentos distintos voltaram a circular com força na internet e reacenderam o debate sobre a atuação profissional de Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes. As gravações mostram declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro e do ex-deputado Roberto Jefferson, ambos fazendo alertas e acusações envolvendo a relação da advogada com o Banco Master.
A retomada do material ocorre em meio ao avanço de investigações e à divulgação de detalhes sobre contratos firmados entre Viviane e a instituição financeira, que hoje enfrenta uma série de acusações e processos.
Contrato milionário com o Banco Master amplia repercussão
A contratação de Viviane Barci pelo Banco Master foi um dos principais fatores para a intensificação do debate nas redes sociais. De acordo com informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, o acordo previa honorários mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de 36 meses, o que levaria o valor total a R$ 131,3 milhões ao fim do contrato.
Apesar disso, o banco acabou sendo dissolvido, e até o momento não há confirmação oficial sobre quanto foi efetivamente pago pelos serviços advocatícios prestados por Viviane.
Vídeo de 2022 mostra Bolsonaro criticando decisões de Moraes
Entre os conteúdos que voltaram a circular está uma gravação de 2022 em que Jair Bolsonaro reage a decisões tomadas por Alexandre de Moraes. No vídeo, o então presidente critica a quebra de sigilo bancário do tenente-coronel Mauro Cid e questiona suspeitas de “movimentações atípicas” envolvendo contas de Michelle Bolsonaro.
“Mostre o valor das movimentações”, disse Bolsonaro. “Isso é só tentativa de desgaste. Minha esposa não tem escritório de advocacia, mostre a verdade. Você está ajudando a enterrar o Brasil por questão pessoal, não sei qual, mas é pessoal.”
Roberto Jefferson faz acusações diretas de lobby em Brasília
Outro vídeo resgatado é protagonizado por Roberto Jefferson, no qual ele acusa Viviane Barci de atuar como lobista em Brasília. O ex-deputado critica o fato de a esposa do ministro manter um escritório na capital federal, que, segundo ele, teria foco na atuação junto aos “tribunais superiores”, explorando a posição ocupada por Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal.
“Ela era piloto de fogão em São Paulo, cozinheira”, afirmou Jefferson. “Quando o maridão foi nomeado ministro, ela abriu um escritório em Brasília. E o curioso do escritório é que ele, na folha de mídia da internet em que se apresenta, não diz que é especialista em direito constitucional, eleitoral, civil ou criminal. Ele diz que é especialista em tribunais superiores. Ele deixa claro que a especialidade é lobby. É, hoje, o escritório mais rico de Brasília.”
Banco Master sob investigação e pagamentos tratados como prioridade
O Banco Master é alvo de investigações por suspeita de uma fraude bilionária envolvendo ativos inexistentes, além de outras irregularidades e tentativas frustradas de venda da instituição. Durante a prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do banco, a Polícia Federal encontrou em seu celular uma cópia do contrato firmado com o escritório de Viviane Barci.
Segundo informações publicadas por O Globo, o documento autorizava a advogada a representar o banco em diferentes áreas, com um escopo amplo de atuação. Mensagens internas obtidas durante a investigação indicam que, mesmo em meio à grave crise financeira, os pagamentos ao escritório de Viviane eram tratados como prioridade absoluta.
Atuação em processos recentes também é citada
Ainda conforme O Globo, uma das ações conduzidas por Viviane envolve uma queixa-crime protocolada em abril de 2024 contra Vladimir Timerman, investidor da Esh Capital. No processo, Daniel Vorcaro e o Banco Master acusam Timerman de calúnia após declarações em que ele afirmou que o dono do banco teria “participado e/ou realizado operações fraudulentas entre Gafisa e o Fundo Brazil Realty”, do qual o Master era cotista.
A petição sustenta que a fala teve como objetivo “atingir de forma criminosa a honra” dos autores da ação, reforçando o papel central do escritório de Viviane na estratégia jurídica da instituição.