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Voto de Fux no STF repercute na imprensa internacional e gera impacto no cenário político até 2026

Decisão rompeu expectativa de unanimidade e levantou dúvidas sobre rumo do julgamento do 8 de janeiro

O voto do ministro Luiz Fux, que absolveu o ex-presidente Jair no da suposta trama do 8 de janeiro, quebrou a unanimidade aguardada na 1ª Turma do Tribunal Federal (STF).

Em um parecer longo e detalhado, Fux rejeitou a tese de tentativa de golpe de Estado e questionou a consistência das provas apresentadas. A votação será retomada nesta quinta-feira (11), com o posicionamento da ministra Cármen Lúcia.

Repercussão internacional

Ao divergir dos Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que já haviam votado pela condenação dos acusados, Fux provocou forte impacto. O contraste ganhou destaque na imprensa internacional, que apontou o episódio como divisor de águas no processo.

A Reuters descreveu a como uma ruptura dentro da Corte, ressaltando que o voto fortaleceu argumentos da defesa e abriu espaço para que o caso seja levado ao plenário, aumentando a possibilidade de novos recursos. A agência, porém, ponderou que a condenação de Bolsonaro ainda é considerada provável.

A emissora Al Jazeera enfatizou a defesa de Fux pela tese de “incompetência absoluta” da 1ª Turma para julgar o caso, sob a justificativa de que Bolsonaro, sem mandato, deveria ser processado em outra instância. O ministro também criticou o pouco tempo dado à defesa para analisar provas, classificando a situação como um “tsunami de dados”.

A Associated Press considerou o voto como um “rompimento” com os colegas e destacou a longa explanação de 13 horas, que teria gerado desconforto visível entre outros ministros.

Já o jornal La Nación, da Argentina, e a agência EFE ressaltaram que, caso prevaleça a maioria pela condenação, Bolsonaro pode enfrentar penas superiores a 40 anos, embora tenham dado atenção especial ao argumento de Fux sobre a falta de competência do STF.

Impactos políticos

Segundo a Reuters, a decisão pode ter efeitos no calendário eleitoral de 2026. Se o processo se prolongar, a tramitação dos recursos poderá coincidir com a campanha presidencial, aumentando a tensão política.

Apesar de absolver Bolsonaro, Fux votou pela condenação de outros réus, entre eles o general Walter Braga Netto e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid.


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